Início » Cultura, Dossier, Local, Nacional, Outras » Racismo interrompe debate na Feira do Livro

Este sábado, dia 2 de Janeiro, o debate baseado na obra “Racismo no País dos Brancos Costumes”, a decorrer na Feira do Livro de Lisboa, foi interrompido devido a um episódio precisamente de racismo.

A acusação é feita pela representante da editora Tinta da China, Bárbara Bulhosa, que recorreu às redes sociais para denunciar a situação.

Segundo a editora, uma voluntária da organização da Feira do Livro (que cabe à APEL – Associação Portuguesa de Editores e Livreiros), “passou o debate a gesticular e mandar bocas a dizer que não concordava nada com o que estava a ser dito, «esta gente», repetiu várias vezes”.

Além da autora da denúncia, participavam no debate baseado em “Racismo no País dos Brancos Costumes”, de Joana Gorjão Henriques, os convidados Beatriz Dias (da DJASS – Associação de Afrodescendentes), Mamadou Ba (da SOS Racismo), Ana Tica (activista) e Raquel Rodrigues (da FEMAFRO, Associação de Mulheres Negras Africanas e Afro-descendentes em Portugal).

Pode ler-se ainda na publicação no Facebook: “Eu, que estava na primeira fila, ignorei os seus comentários, que para além de serem de uma enorme indelicadeza (estava vestida com a camisola da APEL), revelavam de forma inequívoca o que pensa sobre o racismo e o que diz «esta gente». O problema surgiu quando às 14h49, começou a mandar calar directamente os intervenientes. Aproximou-se do palco e disse ao Mamadou Ba, que estava a falar: «Vê lá se te despachas!» O Mamadou Ba, apanhado de surpresa, calou-se e a Joana Gorjão Henriques terminou a sessão imediatamente. O caldo entornou. Eu saltei da primeira fila e abordei a senhora voluntária dizendo-lhe peremptoriamente que não podia mandar calar um convidado que estava a falar para uma plateia cheia. Que não funcionava assim. Que não pode tratar por tu um desconhecido, que em 12 anos de Feira do Livro nunca tal me tinha acontecido”.

A APEL já lamentou o sucedido esta segunda-feira, repudiando as atitudes da voluntária em causa. A APEL afirma não se rever “de nenhum modo na atitude assumida pela sua colaboradora” e garantiu tomar medidas para “evitar a repetição de incidentes deste teor”.

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