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Kelly… cuidado com ela!

A pretexto do Dia da Mulher, o EXPRESSO do Oriente entrevista uma das mais bem-sucedidas mulheres wrestlers portuguesas: Raquel Lourenço, mais conhecida por KILLER KELLY!

O cartão de cidadão diz Raquel Lourenço, mas esta portuguesa recentemente radicada na Alemanha responde dentro do ringue pelo nome de “Killer Kelly”.

Designer gráfica de formação, esta jovem de 25 anos mudou-se com o namorado – com quem partilha o sonho e a paixão do wrestling – para Duisburgo, Alemanha, para ter a vida que não encontrava em Portugal.

Cansou-se de combater apenas contra homens e actualmente dá cartas na wXw, a maior marca do wrestling europeu. Tem saudades de casa e de Lisboa, mas o sonho fala mais alto!

Subimos a guarda, respirámos fundo e deixámo-nos encantar por esta grande mulher, a quem desde já desejamos um excelente dia, antes que ela nos atire às cordas e faça de nós picadinho.

Quando se iniciou no wrestling? Qual foi o “trigger”?

Tudo começou quando eu tinha sete anos e fui ter com o meu irmão mais velho ao sótão da nossa casa. Ele estava a ver wrestling (mais concretamente o Monday Night RAW), e no preciso momento em que me cheguei ao pé dele, o Kane estava a fazer a sua entrada para o ringue. Apaixonei-me imediatamente pelo espectáculo, as personagens “bigger than life” e desde aí que se tornou no meu objectivo número 1.

Descreva brevemente o seu percurso na modalidade.

Aos 14 anos foi quando a paixão pelo wrestling me “bateu” mais a sério. Encontrei o WP Wrestling Portugal para treinar e assim comecei a minha jornada sob as asas do meu treinador Bruno “Bammer” Brito. Queria ser lutadora de wrestling, mas nunca entendi bem como é que poderia concretizar esse sonho, estando em Portugal. Infelizmente no nosso país o wrestling não é muito popular, por isso desde muito cedo que meti na cabeça que simplesmente não iria acontecer. Fui treinando cada vez menos e andando mais desleixada e com outras prioridades como namorado, estudos e trabalho. Mas, por volta dos meses finais de 2015, a tal paixão ressurgiu e voltei a treinar com o objectivo de não deixar este sonho morrer. O meu “mindset” mudou totalmente e o objetivo era claro. Em Março de 2016, fui passar uma semana a treinar na melhor e mais conhecida academia de wrestling da Europa e saí de lá determinada em mudar-me para a Alemanha para viver mais perto do meu sonho de ser uma wrestler profissional. E aqui estou eu, cinco meses depois, a viver o início da vida que sempre quis!

“Killer Kelly” é um nome que mete medo. Qual a história por trás desta alcunha?

Quando voltei a treinar, os espectáculos no WP Wrestling Portugal também voltaram. Apesar de só haverem homens para lutar, nada disso me impediu de participar, e fiz parte de bastantes espectáculos durante 2016/2017 a lutar apenas com homens. Após os primeiros combates, sendo o meu estilo de luta bastante letal, o público começou a cantar “KILLER KELLY” durante os combates. Senti-me bastante lisonjeada com isso, portanto assim que comecei a minha nova jornada na Alemanha, decidi tornar-me na “Killer Kelly”.

Como é a Kelly no dia-a-dia? De certeza que não é uma “killer”…

Eu vejo-me como uma pessoa extremamente sorridente, de extremos, socialmente estranha [do inglês socially awkward], envergonhada e com um sentido de humor fantástico. Nem eu própria me consigo perceber!

Há poucas mulheres no wrestling. Concorda? Porque há tão poucas mulheres a praticar?

Hoje em dia isso já não é verdade. O wrestling feminino cresceu imenso, e finalmente está a ganhar a notoriedade que tanto merece.

Os grandes espectáculos de wrestling arrastam multidões lá fora. O que falta para acontecer o mesmo em Portugal? Isso vai acontecer um dia?

Portugal é um país em que só uma modalidade reina: o futebol. Infelizmente não acredito que volte a haver um “boom” do wrestling como houve em 2005/2006. Mas acredito que as cento e poucas pessoas que vão regularmente aos espectáculos do WP Wrestling Portugal se tornem em quase duzentas ou até mesmo trezentas. É um espectáculo que agrada muitas pessoas, onde o produto é mesmo muito bom.

Diga-nos quem são as suas referências, aqueles que vibrava ao ver na televisão.

Primeiramente tenho de mencionar o Kane, pois foi quem me cativou quando era pequena. Depois, tenho de dizer a Lita, pois foi ela que me fez ver que as mulheres também conseguem ser badasses [gíria inglesa para “duronas”] e boas wrestlers.

Alguma vez se magoou a sério no ringue? Nunca quis “partir os dentes” a ninguém lá dentro?

Já abri o queixo durante um treino e tive lesões ligeiras, mas nada de grave (e espero que continue assim!). Dentro do ringue as emoções podem efervescer, mas nunca tive uma situação menos positiva.

Duas ou três palavras sobre a vida na Alemanha e a adaptação. Qual é a cidade?

Neste momento estou a viver em Duisburg, e a única coisa que posso dizer quanto à vida na Alemanha é a seguinte: se não fosse o óptimo wrestling que aqui se faz, nunca me teria mudado para aqui! Tenho saudades de tudo em Lisboa, e não há comparação possível.

O Dia da Mulher é uma data simbólica que nos deve fazer reflectir. Por isso perguntamos: com que olhos vê o ser mulher nos dias de hoje?

Vejo com os mesmos olhos que sempre vi. Ser mulher é ser poderosa, forte, sábia, e todos os objectivos com conotação positiva possíveis. E mais importante, é a igualdade dos géneros. Não somos piores ou melhores. Somos iguais e igualmente boas aos homens!

Qual é o seu exemplo de mulher?

Não tenho uma pessoa específica, mas traços ou características. O meu exemplo de mulher é uma mulher que sabe o que quer, que vai atrás dos seus sonhos e objectivos, e que quando cai volta-se a levantar de queixo erguido.

Conte-nos uma história que se tenha passado consigo e que seja memorável.

Tenho exactamente duas histórias bastante memoráveis para mim: um mês depois de ter chegado à Alemanha. Participei num dos maiores espectáculos da wXw (maior empresa de wrestling na Europa) e no backstage conheci o meu lutador favorito, cujo nome é Low Ki. E claro, o facto de, passados apenas três meses de ter chegado à Alemanha, me ter tornado a primeira campeã feminina da wXw! Nunca me irei esquecer destes dois momento

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