Sociedade

Conversa sobre o papel da mulher em Marvila

Os percursos de vida de quatro mulheres foram o mote para uma sessão do Dia da Mulher no Salão Nobre da Junta de Freguesia de Marvila.

Numa sala repleta de mulheres, em que este jornalista era mesmo, a dada altura, o único representante do seu sexo, o Dia da Mulher foi assinalado na Junta de Freguesia de Marvila com uma conversa em que quatro senhoras partilharam algumas histórias da sua vida.

A primeira intervenção foi de Maria Frazão, que aproveitou para contextualizar a data, lembrando uma das origens apontadas para o Dia Internacional da Mulher: a que o associa a uma greve das trabalhadoras do sector têxtil, em Nova York, em 1857, na sequência da qual muitas teriam falecido num incêndio que deflagrou na fábrica. Certo e garantido é que a ONU consagrou o dia 8 de Março como Dia Internacional da Mulher em 1975.

Foi também recordada a primeira mulher a exercer o direito de voto em Portugal: Carolina Beatriz Ângelo, médica, feminista e sufragista, que aproveitou o facto de a lei reservar o voto a maiores de 21 anos, chefes de família, que soubessem ler e escrever. Ora ela preenchia todos os critérios.

Membro da SPEM – Sociedade Portuguesa de Esclerose Múltipla, Maria Frazão explicou sumariamente a doença, tornando-a mais fácil de compreender pelo público que tinha à sua frente: “O cérebro resolve desligar os músculos sem avisar primeiro”. A forma como a doença influenciou a sua vida foi o relato que se seguiu.

O microfone chegou depois às mãos de Celeste, a quem foi diagnosticada uma deficiência aos seis meses de idade. Professora, contou como tinha 50 crianças das quatro classes dentro da sala no dia em que “estalou” a Revolução de 74. Ainda antes de chegar à ternura dos 40, fundou a Cooperativa Nacional de Apoio a Deficientes, a funcionar desde 1982, sediada em Marvila.

Hermínia, por seu turno, falou sobre a necessidade de respeito pelos idosos, lamentando que “hoje em dia” muitos dos que se cruzam com “velhotes” não tenham consideração nem para as mais pequenas coisas, como ceder o lugar nos transportes públicos.

R

osa foi a última a falar, mas provocou várias gargalhadas na assembleia… Contou algumas histórias da sua infância difícil e da escola na altura, ela que agora conta 86 anos. Não deixou de falar nos maus tratos que sofreu do marido. Casada duas vezes, não arranjou um terceiro, com receio que falecesse como os dois anteriores!

A tarde foi animada por dois momentos musicais, protagonizados por Solange e pelo Grupo Canta Marvila, antes de um lanche de convívio ter posto um ponto final na sessão.

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