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Leis do jogo e fair play em debate nos Olivais

O ex-árbitro de futebol Pedro Henriques e o ex-jogador Costinha foram os protagonistas de uma sessão em que se abordaram as leis do jogo e a necessidade de alterar comportamentos no mundo do futebol, particularmente em contexto de futebol de formação.

Nas instalações da ADCEO, no Bairro da Encarnação, Olivais, os destinatários desta pequena palestra foram atletas de formação, pais, treinadores e dirigentes, a convite da ADCEO, na pessoa do dirigente Jorge Farromba. Numa sessão bastante participada, acabaram por fazer várias perguntas ao principal interveniente deste final de tarde, o antigo árbitro de futebol profissional, Pedro Henriques, já que o Costinha é como se fosse da casa…

O antigo juiz descreveu ao EXPRESSO do Oriente o objectivo do seminário: “É sempre positivo que ex-árbitros, jogadores ou treinadores transmitam aos jovens jogadores o seu conhecimento e a sua experiência e neste caso quisemos focar as alterações às leis do jogo e também fazer uma abordagem pedagógica importante”.

Para Pedro Henriques, há três elementos fundamentais na vida das crianças e jovens: os pais, os treinadores e os professores, nos diferentes contextos, em casa, no clube e na escola. “Os pais podem ser um elemento complicado no contexto da formação desportiva, quer em relação aos treinadores, porque querem que o filho jogue, quer em relação aos árbitros, quer em relação aos próprios filhos como fonte de pressão. É sempre bom envolver os pais nestas sessões por causa desse aspecto”, apontou ao nosso Jornal.

Pais elogiam a iniciativa

Não fugindo à questão do ambiente de crispação existente em Portugal nas discussões em torno das arbitragens, quer Pedro Henriques, quer Costinha colocaram a tónica no respeito, no civismo e na atitude positiva em todos os momentos, seja para os jogadores e treinadores dentro e fora do campo, seja para os pais que assistem ao jogo nas bancadas.

A primeira parte foi, então, dedicada a percorrer as alterações às 17 leis do jogo. Os pontapés de baliza e as bolas ao solo, os cartões que agora podem ser exibidos aos elementos do banco, a velha questão da mão na bola e vice-versa, todos esses assuntos mereceram a máxima atenção e uma explicação detalhada.

A segunda parte centrou-se na necessidade de alterar comportamentos. Costinha e Pedro Henriques concordam no diagnóstico de uma cultura de desresponsabilização que é nociva para os nossos jovens e recomendaram que os mais novos, os treinadores e os pais se concentrem menos em ganhar a qualquer preço e mais no que realmente vale a pena: aprender os fundamentos do jogo, passe, remate, recepção, ataque, defesa e por aí fora.

Falámos com Emídio Teixeira e Carlos Cordeiro, pais de dois atletas juvenis B, nascidos em 2004. Emídio considerou a sessão “muito importante tanto para os atletas como para os pais” e referiu que “muitas vezes as atitudes negativas das crianças têm a sua fonte no comportamento dos pais”. Resume o lamento numa frase: “Seria bom não fazerem as asneiras que às vezes fazem, ganhávamos todos com um bocadinho mais de respeito e fair play e os miúdos não reproduziam os maus exemplos”.

Carlos Cordeiro concorda que foi “uma iniciativa muito boa, a que deve ser dada continuação” e acrescenta que “seria bom envolver outros clubes para participarem também”. Para este pai, “é bom ouvir pessoas que são referências no mundo do futebol e tentar aprender o máximo, nomeadamente esta cultura que queremos passar dos valores. O mau, eles aprendem depressa, é preciso insistir é no bom. Não podemos olhar para os jovens como futuros Cristianos Ronaldos, mas incentivar a cumprir o seu progresso e chegar onde quiserem e puderem, em qualquer área profissional”.

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