Sociedade

Inquérito de rua sobre os novos passes sociais

Com a entrada em vigor dos novos passes Navegante Municipal e Navegante Metropolitano no dia 1 de Abril, perguntámos aos utilizadores o que pensavam das medidas implementadas.

No terminal fluvial do Cais do Sodré e na estação de Metro do Senhor Roubado, cruzámo-nos com pessoas de várias idades e proveniências, que apontaram essencialmente para duas ideias: as virtudes de uma redução nos custos mensais com transportes que faz realmente uma grande diferença nos orçamentos familiares; e uma atitude de “esperar para ver” se a afluência de muitos utilizadores novos à rede de transportes é suportada pelo lado da oferta.

Sónia Neto é a primeira pessoa que se dispõe a trocar impressões connosco, a caminho de apanhar o barco para a margem Sul do Tejo. Tinha um passe que lhe custava 52,25€ e vai passar a pagar os 40€ do novo Navegante Metropolitano, para poder ir e vir diariamente de casa. “Agrada-me a medida, pelo simples facto de ir pagar menos do que até aqui. No meu caso sou só eu e nem faz uma diferença assim tão grande, mas para famílias numerosas acredito que vá ser uma transformação enorme”.

Ivo Costa é mais céptico e dispõe-se a prever o que vai acontecer a partir de agora: “Vamos ver os autocarros ainda mais cheios, o Metro a rebentar pelas costuras na hora de ponta e afins”. Assegura, no entanto, que concorda com a medida, “só gostava de ver melhorias primeiro nos transportes, pelo menos nos que eu utilizo, que são essencialmente o Metro e a Carris.

Uma ideia que encontra eco nas opiniões de Ana Fonseca e Cátia Bento, que chegam de comboio e se encaminham para o Mercado da Ribeira a passo apressado. “Para pessoas mais novas até devia haver outro tipo de descontos, porque só é gratuito até aos 12 anos”, atrevem-se a sugerir. As jovens não deixam de referir que “as linhas do Metro estão sempre sem circulação”, referindo-se aos momentos em que a mesma é interrompida por motivos variados, e que “na hora de ponta é tanta gente que parecemos sardinhas em lata”.

Jailson Vieira pagava mais de 80€ por mês e sorri perante as contas que vai fazendo à nossa frente, até chegar ao número redondo de 400€ de poupança anual. Não tem queixas dos transportes por considerar que “é pior noutros sítios” e dá-se por satisfeito por “poder ir para qualquer lado só com um passe”.

Lina Duarte está na defensiva: “Daqui a uns tempos é que vamos ver se isto se mantém ou não. Ainda é cedo para dizer”. Antes de o seu autocarro chegar, no terminal do Senhor Roubado, conta-nos que gastava cerca de 51€ no passe que lhe dava para o Metro e para a Rodoviária de Lisboa. Vai poupar pouco mais de 11€, o que é uma “excelente notícia, sobretudo se a pessoa pensar que são mais de 100€ por ano”.

Flávia Reis revela, no seu português com açúcar, que está na mesma situação (Rodoviária + Metro), mas que conhece várias pessoas que gastavam mais de 70€ no passe todos os meses: “Quem mora na margem Sul ou em outros sítios mais longe vai poupar muito mais que eu, é uma maravilha. Lá em casa também têm passe as minhas filhas e o meu esposo, por isso o passe familiar vai ser importante quando chegar”.

Ana Ferreira comprou o passe no mesmo dia em que a abordamos e diz-nos que “qualquer medida que nos permita gastar menos é sempre boa, desde que haja dinheiro para pagá-la”. Lamenta, no entanto, que a manutenção dos autocarros da Rodoviária deixe a desejar, isto antes de entrar na viatura em que a fotografamos a validar o passe no leitor.

Feitas as contas, todos parecem satisfeitos pela poupança, mas apreensivos com um eventual cenário de sobrecarga dos transportes nas suas viagens diárias. É esperar para ver!

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