Início » Reportagem » Bombeiros do Beato e Penha de França

Os Bombeiros do Beato mudaram de nome: chamam-se agora Bombeiros Voluntários do Beato e Penha de França.

Para saber das novidades, visitámos esta corporação, uma das mais activas e mais solicitadas de toda a área da Grande Lisboa, que cobre uma extensa área que engloba as freguesias do Beato, Penha de França, Arroios, Areeiro e Marvila.

Uma vez que o Comandante Mário Ribeiro se encontra destacado no distrito de Viana do Castelo, juntamente com outros 13 operacionais, integrado no DECIF – Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Florestais, desde Julho e até ao final de Setembro, conversámos com o 2.º Comandante Fernando Azevedo e com a Adjunta de Comando Patrícia Esteves.

A estes dois experientes bombeiros, perguntámos como foi o Verão, se está a ser difícil responder a todas as chamadas contando com menos operacionais e abordámos ainda o episódio da ambulância furtada. Já lá vamos.

Novo nome, sonho antigo, a missão é a mesma

Primeiro, a mudança de nome. Para o Comandante Mário Ribeiro, que contactámos por e-mail e nos respondeu de Viana do Castelo, “é muito simples”.

O Comandante explica que o novo quartel dos Bombeiros vai ser construído em território pertencente à Freguesia da Penha de França e que a atual presidente da autarquia, Sofia Oliveira Dias, manifestou o seu apoio desde que tomou posse: “fez questão de estar sempre do nosso lado, quis conhecer a realidade do no quartel, as nossas condições, apoiou-nos sempre que pedimos apoio e prontificou-se de imediato a ajudar na construção do quartel”.

A possibilidade de alterar o nome para incluir Beato e Penha de França surgiu no seio desses contactos, foi proposta à Assembleia Geral e foi aprovada mediante votação. O nome do Beato já consta da designação oficial há 85 anos. O dos Olivais caiu, até pelo surgimento dos Bombeiros de Cabo Ruivo. O da Penha de França surge com naturalidade para reflectir a nova realidade no terreno.

“Acreditamos que assim vamos ter mais apoio na construção do nosso quartel, que é um sonho para todos. Quer a Junta da Penha de França, quer a Junta do Beato, têm ajudado bastante e estão connosco nesta luta pela construção do quartel”, afirma Mário Ribeiro, que não dirige os mesmos elogios para as restantes autarquias em redor: “Já o mesmo não posso dizer da juntas que estão na nossa área de intervenção, que são as do Areeiro e Arroios. Nem respondem aos e-mails a solicitar uma reunião…”.

Quanto a Marvila, que também está na área de intervenção desta corporação, o Comandante afirma que “infelizmente nunca foi fácil lidar com o senhor presidente, a sua prepotência e arrogância com que sempre lidou com este corpo de bombeiros”.

Bombeiros desde os tempos de adolescente

Quer Fernando Azevedo quer Patrícia Esteves são bombeiros desde a sua juventude. O 2.º Comandante, agora com 40 anos, iniciou-se como bombeiro aos 15. Fez um percurso por várias corporações, até chegar ao Beato há cerca de quatro meses.

“É um desafio constante, todos os dias. Para mim tem sido uma aprendizagem. O Comandante Mário Ribeiro tem desenvolvido um excelente trabalho, com o sonho do novo quartel. Reuniu todos os apoios possíveis e imaginários, foi contornando todos os obstáculos que lhe surgiram no caminho. Temos um futuro promissor pela frente!”, aponta o nosso amigo.

Sobre o novo quartel, que já tem um projecto e espera pela angariação de recursos financeiros capazes de o levar a bom porto, afirma que “as ajudas são poucas”: “Temos de fazer a obra com poucos donativos e com o fruto do nosso trabalho. A manutenção das viaturas, as reparações frequentes, o gasóleo… temos um nível de despesa muito acentuado que nos obriga a uma contenção enorme. No entanto, a união entre a Direcção e o Comando é muito forte e estamos todos focados no mesmo objectivo, o que é essencial”.

Quanto à casa que o acolheu, diz que “tem uma essência diferente das outras”. “Ter de dormir nas condições que aqui existem, estar submetido a temperaturas que chegam aos 45 graus no Verão, ao passo que no Inverno chove aqui como chove na rua… comparado com este quartel, os outros todos têm condições fabulosas! É necessário um grande espírito de sacrifício”, completa Fernando Azevedo.

Já a Adjunta de Comando é bombeira há 15 anos. Aos 32, feitas as contas, entrou para os Bombeiros do Beato com 17 anos e nunca conheceu outra corporação. Na sua opinião, “ser mulher não muda nada” na hora de cumprir as suas funções enquanto bombeira e enquanto Adjunta de Comando. Também lamenta o estado de degradação do quartel, mas acrescenta: “Claro que não são as melhores condições do mundo, mas quando fazemos as coisas por amor e dedicação, suportamos todos os obstáculos!”.

A dedicação com que encara a sua missão fica bem patente na forma como remata a entrevista: “É a minha casa, é pelos Bombeiros do Beato que luto todos os dias. Temos o projecto do novo quartel, caminhamos todos juntos, no mesmo sentido. Apanhei vários comandantes e sempre os apoiei em tudo. Não tenho palavras para descrever esta ligação aos Bombeiros, mais forte do que se pode explicar por palavras!.

Vindos do Beato para combater fogos em todo o País

Este ano foi a primeira vez que aconteceu um destacamento com a duração de três meses, o tal que levou 14 elementos dos Bombeiros Voluntários do Beato e Penha de França para Viana do Castelo, Ponte da Barca e Arcos de Valdevez. Com eles foram viaturas e material, incluindo um VCOT, um VFCI e um VRCI (Veículo de Comando Táctico, Veículo Florestal de Combate a Incêndios e Veículo Rural de Combate a Incêndios).

Apesar da localização tão a Norte, as equipas foram destacadas para cenários de operações em vários pontos do País, para combater os fogos que todos vimos na televisão.

“Sente-se um pouco a casa mais vazia”, confessa Patrícia Esteves. “É uma missão extremamente difícil, sobretudo por estarem privados da companhia da família”, aponta ainda Fernando Azevedo.

O desafio estende-se ao quartel do Beato, porque são 14 operacionais a menos para as solicitações que chegam diariamente. Os bombeiros salientam, no entanto, que têm tido capacidade para dar resposta a todas as missões de socorro solicitadas.

Para rematar, reconhece o 2.º Comandante: “Há uma grande carência de voluntários, de pessoas para abraçar esta missão, de Norte a Sul do País. Mas o Beato pode orgulhar-se do seu lema: com pouco fazemos muito!”.

Furto insólito que ficou resolvido em poucas horas

É o 2.º Comandante Fernando Azevedo que nos relata o sucedido: “A minha colega Adjunta de Comando ligou-me naquela manhã [17 de Agosto] a dizer que as equipas tinham chegado para fazer a rotina normal diária, por volta das 7h30, para verificação dos veículos, óleos, águas, e o veículo não estava lá. Informámos as autoridades de imediato, colocámos nas redes sociais o alerta, na Radio Taxis, em todos os meios ao nosso dispor. É um carro que nos faz muita falta no serviço diário”.

Fernando Azevedo explica-nos que se tratava de uma ABTD – Ambulância de Transporte de Doentes Não-Urgentes, um veículo que transporta as pessoas a caminho de consultas, hemodiálises, cuidados paliativos. Acresce que os Bombeiros do Beato e Penha de França só têm duas ambulâncias com aquela tipologia, que fazem inúmeros serviços diários.

Foi o dono de um restaurante vizinho, de Xabregas, quem contactou os Bombeiros, porque tinha visto a ambulância parada num beco. “Tinha os vidros abertos, os faróis danificados, outros danos eléctricos. Mas ao menos recuperámos o veículo na mesma manhã… Durante esse dia foi submetido a peritagens e foi-nos restituído no dia seguinte, enquanto prossegue a investigação das entidades competentes”.

O responsável agradece a pronta partilha nas redes sociais da publicação dos Bombeiros, que tornou possível uma ampla divulgação.

Sem comentários... Seja o primeiro a comentar!