Reportagem

Aqui não há pés de chumbo

Entre 1 e 7 de Março, o “Passaporte da Dança”, no âmbito do Festival Cumplicidades, promoveu 180 aulas gratuitas por toda a cidade, com o objectivo de despertar o bichinho da dança junto dos lisboetas.

Na edição deste ano, 40 escolas de música espalhadas por 16 freguesias de Lisboa (Alvalade, Areeiro, Arroios, Beato, Belém, Benfica, Campo de Ourique, Campolide, Lumiar, Marvila, Misericórdia, Parque das Nações, Penha de França, Santo António, Santa Maria Maior e São Vicente) ofereceram mais de 180 aulas de dança gratuitas, abertas ao público mediante inscrição prévia.

O pontapé de saída foi dado em três estações do Metropolitano de Lisboa ainda antes de a semana Passaporte da Dança começar, com alguns grupos a demonstrarem a sua perícia e treino em público. As escolas participantes na iniciativa ofereceram ao público modalidades e disciplinas tão diferentes como tango, salsa e merengue, flamenco e sevilhanas, contemporânea, hip hop, dança africana, ballet, funk, forró, biodanza e até yoga, chi kung e pilates.

O EXPRESSO do Oriente resolveu visitar uma escola e testemunhar in loco uma aula com um nome sugestivo: “Danças sociais para pés de chumbo”, na Academia Danças do Mundo, freguesia de Arroios.

Ficámos então a observar enquanto o professor e responsável Afonso Costa orientava os seus alunos nos passos de kizomba, bachata, salsa, valsa e merengue. Vimos o grupo treinar primeiro os passos em frente ao espelho e pôr depois em prática a pares rotativos, de tal modo que a certa altura demos por nós a ensaiar também os mesmos movimentos…

O projecto da Academia Danças do Mundo completou 10 anos em Novembro de 2019 em espaço próprio, na Rua Visconde de Santarém, explica-nos Afonso Costa. Tem actualmente uma média de 100 alunos regulares por semana, aos quais se somam os que fazem apenas uma semana ou alguns dias.

Para o professor, o Passaporte da Dança é uma boa iniciativa: “Percebemos isso quando um número elevado de escolas adere. Talvez pudesse ter melhor divulgação, mais cedo, para fomentar maior participação, mas é uma ideia muito bem estruturada e com um potencial enorme”. Afonso revela que colocou um limite máximo de 20 pessoas de fora para inscrição nesta semana, porque queria que a experiência fosse positiva para todos. “Estivemos perto desse número em alguns dos dias”.

Perguntamos-lhe quais são os benefícios da dança para quem a pratica, sabendo já que passou 25 dos seus 46 anos a dançar. “Partimos da expressão segundo a qual quem dança é mais feliz. É um facto. Vemos que é extremamente útil para todas as idades, tem um impacto sociabilizante, de interacção entre as pessoas. Na dança, entendemo-nos com o nosso par e com os outros num compromisso, num ritmo, no toque e no abraço, na postura e maneira de estar, até no improviso e na reacção”.

A aula chegou ao fim, desliga-se a música e ninguém está demasiado cansado. Mais umas aulas e estes alunos poderão definitivamente garantir… que aqui não há pés de chumbo!

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