Reportagem

“Fotojornalismo: uma janela aberta ao mundo” em Santa Maria Maior

Até ao próximo dia 31 de Dezembro pode visitar a exposição de fotografia “Fotojornalismo: Uma janela aberta ao mundo”.

Organizada pela associação cultural CC11 em parceria com a Junta de Freguesia de Santa Maria Maior, “Fotojornalismo: Uma janela aberta ao mundo reúne olhares únicos de jornalistas sobre duas realidades distintas. Mundos duros que não podem ser ignorados. As câmaras de Nuno Pinto Fernandes e de Tiago Miranda com os textos de Raquel Moleiro trazem- nos os seus contributos, sem medo no olhar e na palavra. Façamos a nossa parte e, como observadores, deixemo-nos envolver pelos sentimentos”, escreve na folha de sala a jornalista e professora universitária Fátima Lopes Cardoso.

O Dia em que a Terra se fez Mar, de Tiago Miranda, fotojornalista do Expresso, com textos de Raquel Moleiro, jornalista do Expresso. A 30 de Março de 2019, um Boeing 767 fretado pela Cruz Vermelha Portuguesa preparava- -se para descolar da base aérea de Figo Maduro com uma dezena de elementos da organização e outros tantos jornalistas. Um terço da cabine de passageiros era ocupada por estes, nos restantes bancos estavam cuidadosamente colocados caixotes e caixotes de medicamentos, material médico e utilitários. Mais do que uma evidência física (não cabia mais carga no porão), tinha a força de uma metáfora, cada banco estava ocupado por uma possível vida, de esperança e de solidariedade. “O avião dirigia-se para uma das maiores catástrofes que Moçambique sofria nos últimos anos. A tempestade Idai tinha engolido a zona da Beira, levando consigo centenas de vidas e destruído um número incalculável de recursos, numa terra onde todo o bem é escasso. É naquele avião, ainda estacionado em Lisboa que se inicia o relato visual que esta exposição pretende ser”, diz-nos Tiago Miranda. Raquel Moleiro descreve: “Em cada imagem vê-se o olhar de quem olhou o mal nos olhos. Em cada imagem vê-se que quem não tem nada pode, ainda assim, perder quase tudo. E ainda assim, levantar-se. E seguir.” O Fim da Linha de Nuno Pinto Fernandes, fotojornalista freelancer. Calais é uma cidade do norte da França, de onde do outro lado do Canal da Mancha, é possível avistar a britânica Dover. É precisamente a proximidade do Reino Unido, que desde o fim da década de 1990, atrai muitos grupos de migrantes ilegais, na tentativa de encontrar um futuro melhor, do outro lado da fronteira. Nesta exposição, o fotojornalista pretende mostrar o que viveu e experienciou na The Jungle, a selva de Calais no Norte de França durante a sua estadia de 21 dias em Outubro de 2016. “Foi uma experiência ímpar onde pude fotografar o dia-a-dia do maior campo de refugiados na Europa. Entrar neste campo e olhar para as condições onde vivem na Europa é uma imagem que no sec. XXI está completamente deslocada”, conta Nuno Pinto Fernandes. A inauguração da exposição foi no dia 11 de Novembro  e estará patente até 31 Dezembro 2021, na Galeria de Santa Maria Maior, na Rua da Madalena 147, de Segunda a Sábado, das 15h00 às 20h00. A entrada é livre. A associação cultural CC11, foi fundada no início do ano 2020 e tem como finalidade divulgar e promover a fotografia e o fotojornalismo em Portugal.

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