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Exposição “Belém. Demolir para Encenar”

O Padrão dos Descobrimentos inaugura no dia 15 de Fevereiro a exposição “Belém | Demolir para Encenar”, que se reporta à Exposição do Mundo Português de 1940.

As profundas transformações que a zona de Belém sofreu nas vésperas da abertura da Exposição do Mundo Português, que o Estado Novo promoveu em 1940, são o centro de uma exposição que é inaugurada pelas 17 horas do dia 15 de Fevereiro, no Padrão dos Descobrimentos, e que abre ao público no dia seguinte.

Em comunicado, o Padrão dos Descobrimentos contextualiza a mostra da seguinte forma: “Em 1940, a Exposição do Mundo Português e Belém pareciam um só. O lugar ajudava a contar a história, gloriosa, do passado da nação: Mosteiro dos Jerónimos, rio Tejo, Praça Afonso de Albuquerque, Torre de Belém. A vasta dimensão do certame tomou conta do bairro e Belém, para além da Exposição, parecia não existir. O Estado Novo anunciava admiráveis transformações naqueles terrenos vazios, disponíveis para receber tão grande festa. Mas que lugar era este, antes de 1940? E em que lugar se tornou, finda a Exposição? Qual o papel deste evento no percurso urbano de Belém?”.

(Belém, desenho de Pier Maria Baldi, c. 1668, in Florence, Biblioteca Medicea Laurenziana, ms .Med. Palat. 1231, f. 130bis. Reproduzido com permissão de MiBACT)

O bairro de Belém apresentava, além de terrenos incultos, “um núcleo urbano denso, variado, atractivo. Vivia-se e comerciava-se em ruas, travessas e largos consolidados ao longo dos séculos, em crescendo de urbanidade, desde que o Infante D. Henrique ali mandara construir uma primeira igreja, a de Santa Maria de Belém. Este núcleo urbano e popular complementava o carácter erudito e nobre conferido pelas quintas e palácios em redor – como o Palácio da Praia (onde hoje é o Centro Cultural de Belém), demolido apenas em 1962, ou o Palácio de Belém, transformado em residência oficial da Presidência da República, depois de 1910″.

Estes elementos foram sujeitos a um número significativo de demolições, para que se pudesse realizar a Exposição do Mundo Português. O bairro viu-se amputado de “muitas das suas valências: estrutura urbana, habitações, espaços comerciais, lugares de sociabilidade, mercado e mesmo edifícios patrimonialmente relevantes. Depois do certame, e durante décadas, o vazio. Hoje, no início do século XXI, a Exposição do Mundo Português permanece no lugar, em estruturas físicas que podemos ver e tocar, mas sobretudo de forma incorpórea”.

Comissariada por Pedro Rito Nobre, a exposição “Belém | Demolir para Encenar” propõe uma viagem pelas memórias ainda existentes no lugar e por outras que foram sendo apagadas.

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