Reportagem

“É necessário promover a importância do Desporto”

 

Sem TítuloCom uma comprovada experiência na área do desporto, onde tem desempenhado funções ao longo de mais de 20 anos como vogal na Junta de Freguesia dos Olivais, Luís Jorge Silva assumiu, em Março de 2013, a vice-presidência da ANDDI Portugal – Associação Nacional de Desporto para a Deficiência Intelectual. O agora representante da zona do Sul do Tejo da associação, revela que aceitou o cargo em homenagem ao seu grande amigo João Pardal, que faleceu em 2012. Promover a importância do desporto e aumentar a oferta de actividades existentes para os atletas portadores de deficiência, são as suas principais preocupações.

Como é que começa a sua ligação à ANDDI?
A ANDDI é uma entidade que vive há pouco mais de vinte anos e cuja origem está no Norte, em Vila Nova de Gaia, e que conta com uma série de pessoas e professores ligados ao ensino adaptado na área do desporto. A associação “estendeu tentáculos”, digamos assim, a todo o território nacional e precisou de ter um representante para a área da Grande Lisboa. Esse representante e dirigente
chamava-se João Pardal, que deixou de estar entre nós em Abril do ano passado, e que à data do seu falecimento presidia a instituição.
Eu, enquanto vogal do Desporto da Junta de Freguesia dos Olivais, tinha uma relação muito especial com a ANDDI e com o seu residente, que era um amigo pessoal. Com o seu desaparecimento, a associação entendeu que a pessoa que deveria substituir o Prof. Pardal nas suas funções, a Sul do Tejo, seria eu, dado a relação pessoal que tínhamos de grande amizade mas também de trabalho, pois grande parte das actividades da ANDDI que eram realizadas nesta zona, tinham o meu cunho.
Tive alguma relutância em aceitar, mas em homenagem ao João Pardal acabei por dizer “sim” ao convite para vice presidir a associação a Sul do País.

Portanto, antes deste convite, não exercia ainda nenhum cargo na ANDDI?
Não, nem na ANDDI, nem no desporto adaptado. A única relação que tinha com o desporto adaptado era colaborar com o antigo presidente em todas as iniciativas e ajudá-lo na criação de algumas actividades. Aliás, a Caminhada de Desporto Adaptado, que se realizou no mês passado, nos Olivais, foi um desafio lançado por mim e que na altura foi muito bem acolhido pelo João Pardal. Tem sido, aliás, uma prova com grande sucesso, estando já na sua terceira edição.
Não sou um homem proveniente da área do ensino especial nem da deficiência intelectual. O que sei, aprendi com o João Pardal, e o que não sei vou tentar aprender com os outros. E existe muita gente voluntária a querer juntar-se a mim nesta nobre tarefa de me apoiar e vou tentar dar o meu melhor.

Mas existem outras actividades da associação, em que também teve influência antes de assumir este cargo?
Sim, houve outras.Conseguimos, por exemplo, que alguns atletas da ANDDI fossem integrados em clubes de desporto para atletas normais, para que eles pudessem ter alguma competição. Infelizmente, na área do desporto adaptado, há dificuldade em colocar os atletas a competir e a ter uma participação regular de treinos porque existem muito poucas equipas nestes moldes. Foi através de um
projecto da Junta de Freguesia dos Olivais, juntamente com a ANDDI, que conseguimos que alguns destes jovens pudessem ser integrados em equipas normais como aconteceu com a Associação de Deporto e Cultura da Encarnação e Olivais (ADCEO), que abraçou este projecto sem qualquer interesse e com muito amor. Desta forma, conseguimos que alguns atletas, que estavam inseridos na Selecção Nacional de Desporto Adaptado sem competição, passassem a tê-la.

O que é, para si, o mais importante no trabalho efectuado pela ANDDI?
A ANDDI é uma entidade fomentadora do desporto na área da deficiência. Isso como é óbvio é o mais importante. Tem sempre o sonho de ter atletas olímpicos e paraolímpicos, mas o mais importante é o simples facto de ela existir e de contribuir para que o desporto adaptado tenha mais incremento no país. Aliás, já conseguimos falar com grandes clubes e ter atletas a representá-los. O Sporting Clube de Portugal é um exemplo disso, e o Futebol Clube do Porto também ja mostrou interesse para inserir uma área dedicada ao desporto adaptado no seu clube.

E enquanto vice-presidente, quais são os seus objectivos?
A associação já tem um leque de actividades desportivas bastante alargado, em todas as modalidades do desporto nacional. O importante para mim, é que na área que me compete, a Sul, os jovens do ensino especial comecem a aderir, cada vez mais, ao desporto, porque apesar de sermos um país que consegue muitas medalhas nos Jogos Paraolímpicos, ainda não temos uma grande percentagem de participantes no desporto em geral. Ou seja, é necessário transmitir a mensagem de que é preciso praticar desporto. Não só junto de pessoas com deficiência mas também na população em geral. Se conseguir duplicar ou triplicar o número de atletas, ficarei bastante satisfeito. Tenho projectos para fazer, agora vamos ver.

Que projectos são esses?
Para já ainda estão em estado embrião e não os posso divulgar. Primeiro terei que receber o aval da minha direcção. Mas, a exemplo daquilo que faço como vogal do desporto, criei uma actividade da qual muito me orgulho, que são as férias desportivas. Tem sido uma actividade com muito êxito e que conta com a participação de cerca de 800 jovens. Aquilo que eu pretendo, é levar os meu conhecimentos do desporto normal para o desporto adaptado e dar a oportunidade destes jovens poderem, um dia, usufruírem de uma actividade como esta.

Passa, então, por aumentar a oferta de actividades disponíveis a estas pessoas…
Exactamente. Se depois houver Olímpicos, Paraolímpicos ou Special Olímpicos isso será uma mais valia. Claro que nos sentiremos muito orgulhosos se eles lá chegarem, mas o principal é que eles tenham, primeiro, as oportunidades para lá chegarem.

Quais são as expectativas para os próximos anos na associação?
Como disse anteriormente, aceitei este cargo pois achei que era a melhor homenagem que poderia dar ao João para continuar o seu trabalho.Por quanto tempo não sei. Comecei há muito pouco, por isso só ao final dos três anos verei se terei condições para continuar ou se dentro de todo os voluntários que querem comigo trabalhar, se não arranjaremos alguém mais vocacionado e com maior disponibilidade. Espero continuar a ajudar o João Pardal a dar um empurrão na tarefa que ele, ainda hoje, continua a desempenhar. É estranho dizer isto , mas é a grande verdade: se as coisas continuam a acontecer é porque ele continua a ser parte integrante deste projecto e esperamos ter o maior sucesso.

ANDDIA ANDDI
A associação foi criada a 4 de Dezembro de 1990, sobre a insígnia ADDEM – Associação Nacional de Desporto para a Deficiência Mental. Nasce como uma instituição sem fins lucrativos, cujo principal objectivo é fomentar e organizar a prática de actividades desportivas de competição, para atletas nacionais portadores de deficiência mental / incapacidade intelectual, contribuindo para a sua plena reabilitação e integração na sociedade. A sua actividade desenvolve-se nas mais diversas modalidades, como: o andebol, o atletismo, o basquetebol, ciclismo, futsal, futebol, ginástica, judo, natação, remo, ténis e ténis de mesa e orientação adaptada.A sua denominação altera-se em 2008, passando a ANDDI-PORTUGAL – Associação Nacional de Desporto para a Deficiência Intelectual. A
associação conta, actualmente, com cerca de 1800 atletas filiados.

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