Reportagem

Visitámos o Zoo de Lisboa no seu 135.º aniversário

No dia em que o Jardim Zoológico de Lisboa comemorou 135 primaveras, fizemos uma visita guiada e ficámos a saber muito mais do que podíamos contar nestas linhas!

O dia estava bem quente, tanto que soube bem ficar um pouco a receber o fresco dos micro-aspersores, ou nebulizadores, junto ao espaço dos tigres e dos rinocerontes.

O nosso guia foi o biólogo Rafael Botelho, que foi explicando tudo o que havia para explicar sobre os diferentes animais que íamos encontrando, nós e os cerca de 15 visitantes que connosco fizeram uma visita ao Zoo. Estas visitas repetiram-se ao longo de todo o dia 28 de Maio, o dia de aniversário do equipamento, e fazem-se normalmente por marcação.

Depois de cumprimentarmos a estátua do antigo presidente do Zoo, Félix Naharro Pires, sentado num banco de jardim logo à entrada, fomos espreitar imediatamente um dos animais preferidos do guia Rafael: os tigres! Os tigres-de-sumatra, os mais pequenos de todos, estavam inicialmente envergonhados, mas lá fizeram o gosto de se apresentar. Já o tigre-da-sibéria, o maior de todos, rei dos felinos, espraiou-se mesmo em frente ao vidro, como se soubesse que ia ser fotografado.

Esclarecendo que o Zoo cumpre essencialmente as funções da conservação das espécies, educação do público e investigação científica, o nosso guia contou o caso de um casal de leopardos-da-pérsia que procriava bastante e que foi seleccionado para reintrodução na natureza, no território russo. O mesmo já aconteceu com muitos outras espécies, dada a parceria do Zoo de Lisboa com equipamentos espalhados pelo mundo.

Seguimos o nosso percurso, espreitando as zebras-de-grevy e os cobos-de-leche que habitam juntos porque também se dão bem no seu habitat natural; as aves mainá-do-bali, extremamente ameaçadas porque cantam muito bem e são capturadas para competições ilegais de canto (a propósito, “Quebra o silêncio” é o nome de uma campanha de sensibilização para a preservação das aves de canto); os órix-de-cimitarra, extintos na natureza desde 2000; e o maior predador do Jardim Zoológico… Sabe qual é? É o papa-formigas, que come cerca de 30 mil formigas por dia, 500 de cada vez! Aqui, come sobretudo uma papa de larvas de tenébrio.

“Um pedaço diferente de Lisboa”

Mariana Sousa e Augusto Pereira foram dois companheiros muito atentos na nossa visita. O Augusto fazia anos e por isso, cinco anos depois da última visita, a sua entrada foi gratuita neste dia; já a Mariana, é visitante regular do Jardim Zoológico: “Gosto muito de vir ao Zoo porque é um pedaço diferente de Lisboa e a visita guiada torna tudo mais interessante. Aprendemos curiosidades sobre os animais que de outra maneira não íamos saber”.

Augusto conta-nos que lhe agrada “estar ao pé dos animais; tudo o que é natureza entusiasma-me e também valorizo muito a ideia de conservação”. Os animais preferidos dele são os répteis, particularmente os dragões-de-komodo. Quanto à Mariana, a escolha é complicada: “Gosto do papa-formigas, dos elefantes, dos chimpanzés e dos orangotangos, das caturras”… e a lista continua!

Também conversámos com Ana Anjos, que já queria visitar o Zoo “há imenso tempo” e aproveitou para trazer o filho, Lourenço, que nunca tinha ido. “É uma vergonha, não vinha há uns 20 anos ou mais. Está muito diferente! Sabe a pouco, queria mais, vou ter de voltar um dia destes”, confessa a mãe.

Lourenço, com 5 anos de idade, revela-nos que gostou muito de ver os golfinhos e as girafas. Mas nós reparámos que o momento que o fez saltar mais foi quando chamou a atenção da mãe para as três crias de leão que estavam a brincar, enquanto os adultos descansavam ao sol. “Ainda bem que a semana passada ele não quis vir com a escola, assim aproveitei e fiz esta visita!”, conta a mãe, sorridente.

Depois de sermos olhados bem de perto pela mais alta girafa-de-angola do Zoo de Lisboa, chamada Vasco, comparámos os rinocerontes reais com um desenho do tempo de Vasco da Gama, que o nosso biólogo de serviço mostrou com entusiasmo. Mesmo assim, mais entusiasmado ficou ao passar-nos para as mãos um pêlo do rabo do elefante africano, um espinho do porco-espinho, algum pêlo do tigre-da-sibéria e meia dúzia de fezes de koala, que cheiram a eucalipto!

E porque tudo o que é bom acaba depressa, a nossa visita guiada chegou ao fim. Parabéns, Jardim Zoológico! Até ao nosso regresso!

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