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No âmbito das comemorações do 25 de Abril, os mais altos representantes do Estado e do Município de Lisboa reuniram-se para inaugurar o novo Jardim Mário Soares.

A cerimónia começou junto à Praça de Entrecampos, onde foi descerrado o topónimo com o nome Mário Soares; seguiu-se um percurso até outro ponto do jardim, onde as individualidades presentes usariam da palavra.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, o presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues, o primeiro-ministro António Costa e o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina, fizeram as honras e homenagearam um símbolo da resistência anti-fascista e da consolidação do regime democrático. Além destes, também Isabel Soares, filha do homenageado, discursou.

Perante uma multidão de lisboetas com cravos na mão, onde também se contavam ministros, vereadores e presidentes de junta entre os restantes concidadãos, a sessão começou com um momento musical protagonizado pelos violinos da Escola de Música do Colégio Moderno e pela leitura de um trecho da obra “Portugal Amordaçado”, na voz do neto do autor, Jonas Soares.

Fernando Medina falou de um jardim que é um espaço de alegria, de vida, de encontro, de conspiração, de namoro, de convívio e de palavra. Agradeceu às pessoas que de um modo especial tornaram aquela inauguração possível, nomeadamente a António Costa, a quem atribuiu o mérito da ideia.

Isabel Soares recordou os tempos em que o pai passeou pelo jardim do Campo Grande, onde conversou com os amigos sobre, arte, política e um pouco de tudo, onde namorou, levou os filhos pela mão e lhes mostrou os recantos que tão bem conhecia, transmitindo-lhes o gosto pelas árvores e o respeito pela natureza. Ali levou os filhos a patinar no antigo ringue, a andar de barco no lago e a fazer fotografias reveladas na hora pelos fotógrafos ambulantes de Lisboa. “Ele que não gostava nada de homenagens, ficaria feliz por ver o seu nome neste jardim, hoje”, rematou.

António Costa realçou que “nunca será demais homenagearmos aquele que foi tantas vezes o rosto e a voz da nossa liberdade”. Recordou também o amor de Mário Soares pelas árvores, que sabia identificar ao primeiro olhar. Logo depois, Ferro Rodrigues agradeceu à Câmara de Lisboa pela homenagem àquele que considerou ser o “militante número um da democracia”.

Por seu turno, Marcelo Rebelo de Sousa assinalou o “dia da memória da liberdade, porque sem memória é tentador esquecer a liberdade”. Afirmou ainda que “Lisboa já tem a Avenida da Liberdade; Jardim Mário Soares equivale a Jardim da Liberdade. (…) De parabéns estão os lisboetas e os portugueses, incluindo os que ainda não agradecem a Mário Soares. Mesmo esses só podem dizer o que quiserem porque vivem em liberdade. Vivam para sempre Maria Barroso e Mário Soares, viva para sempre o Portugal livre e democrático!”.

A cerimónia conheceu o seu fim com a entoação do hino nacional, novamente pela voz dos alunos do Colégio Moderno.

O novo Jardim Mário Soares, cujas obras de requalificação decorrem, representa um investimento de 1,2 milhões de euros e, quando terminado, vai completar a qualificação integral do Jardim do Campo Grande (primeiro foi requalificado o topo Norte). O topónimo fica adjacente à Rua Dr. João Soares, que recorda o pai de Mário Soares, professor e ministro da Primeira República, fundador do Colégio Moderno, situado na mesma rua.

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