DesportoReportagem

Corfe-quê? O que é isso? Corfebol, e estes tipos são bons!

 

A modalidade é ainda totalmente amadora em Portugal, mas a qualidade está a caminho do topo. Fomos conhecer o clube Korf Lx Project, que conta com o capitão da Selecção Nacional nas suas fileiras.

Foi no Pavilhão “Viver Olivais”, da Escola Sarah Afonso, que perturbámos o treino da equipa e demos o microfone a quatro protagonistas. Alguém que não perceba nada de corfebol estranharia ver homens e mulheres a partilhar o campo; mas é verdade: o corfebol é uma modalidade colectiva mista, e isso só a torna mais interessante!

O Korf Lx Project conta actualmente com 33 atletas, divididos por três equipas (a A, a B e a C), que competem respectivamente na 1.ª, 2.ª e 3.ª divisões do campeonato nacional. Como alguns atletas ainda são juvenis e juniores, competem nesses escalões também, mantendo ligação ao Colégio de Santa Doroteia, onde tudo começou.

Vamos aos pormenores. Vasco Condado, professor de Educação Física no tal Colégio, conta-nos que este clube, constituído legalmente em Agosto de 2010, tem origem num projecto de Desporto Escolar 10 anos antes, lançado por si. “A modalidade cativou-me ainda nos tempos de faculdade, reconheço-lhe qualidades pedagógicas fantásticas e a evolução do grupo original fez o resto. É fruto tanto do meu bichinho original como da vontade deles. O mais importante é que conseguimos manter alguns princípios fortes, que também atraíram outros atletas que se identificaram com eles”.

Agora com 47 anos, Vasco garante que as pernas ainda estão boas, “precisamente porque corro há 20 anos com gente mais nova”. Sempre ouvimos dizer que quem corre por gosto não cansa!

A primeira dificuldade para os principiantes é “desmontar algumas regras que se traz de outras modalidades”. “Não podem defender qualquer pessoa [rapazes só defendem rapazes, raparigas só defendem raparigas], não podem cruzar o meio-campo”, enumera Vasco Condado. Depois vem o insucesso inicial: “Como o cesto não tem tabela, concretizar um cesto é difícil para quem está a começar, por isso convém adaptar o objectivo do jogo para manter a motivação e criar sucesso”, completa.

Modalidade mista, factor enriquecedor

Certo é que quem experimenta, fica fã. Foi o que aconteceu a João Santos e Rita Mimoso, treinador e capitã de equipa.

João, 30 anos, professor de Educação Física, mas a exercer profissionalmente no desenvolvimento de sistemas informáticos, foi federado em outras duas modalidades: futebol e basquetebol. Uma operação ao ombro impediu-o de prosseguir no basket, a modalidade em que considera ter sido melhor, porque não podia concentrar esforços no braço. Como no corfebol o esforço é repartido pelos dois braços, o médico autorizou a prática. E não mais parou!

“Não fazia ideia que iria gostar tanto. Vim com expectativa zero e é de longe a modalidade que mais gostei de praticar. Porquê? No futebol, a defesa ganha quase sempre; no basquetebol, o ataque ganha a maior parte das vezes; no corfebol, há um grande equilíbrio entre ataque e defesa”, resume. E acrescenta: “Dá muito prazer concretizar um cesto, muito mais que no basquetebol. Um jogo termina com 20 pontos, dá para vários jogadores ficarem felizes, mas ao mesmo tempo não é algo que aconteça muitas vezes, porque nenhuma equipa faz 100 pontos”.

O treinador fala-nos ainda da diversidade enriquecedora da modalidade e das dinâmicas positivas do convívio entre jogadores dos dois sexos. A mesma opinião tem Rita Mimoso.

Com 29 anos, a capitã joga corfebol desde os 11, ou seja, faz parte do projecto original. Trabalha como analista funcional na banca e praticou ténis e futsal até se render ao corfebol. “Todos conseguem encaixar nesta modalidade, sentir-se bem, dar algo ao desporto. O facto de ser mista torna-a completamente diferente. Os homens elevam sempre a fasquia no nível físico, o que nos motiva, às mulheres, a ser melhores e a equilibrar o tabuleiro”.

Perguntamos se a equipa tem algum ritual. Responde-nos, entre risos: “Nos intervalos dos jogos, fazemos um pequeno concurso informal de piadas secas, para descontrair à entrada para a segunda parte. Foi algo recente que acabou por pegar…”.

Capitão da Selecção não deixa créditos por mãos alheias

No treino que presenciámos, uma figura destacava-se pela sua destreza no ataque ao cesto e pelo seu domínio avassalador a conquistar ressaltos. Miguel Costa, sub-capitão no clube e jogador da Selecção Nacional, pratica a modalidade há 20 anos. Tem 32 anos e é comissário de bordo.

A sua história, resume-a numa frase que diz tudo: “As coisas tornaram-se demasiado engraçadas para não continuar a evoluir”. Começou a frequentar as selecções jovens desde os sub-17, teve a 1.ª internacionalização com 18 anos e já conta com 80/90 presenças na Selecção.

“Representar o nosso país é sempre o expoente máximo, em qualquer modalidade. Capitanear a Selecção é um enorme orgulho, ajudar os mais novos a integrar-se e contribuir para o crescimento da modalidade”, afirma Miguel Costa. “Estamos num patamar inferior aos grandes, como a Holanda ou a Bélgica, até mesmo Taiwan. Mas no nosso patamar, não somos inferiores a nenhum dos países amadores, digamos assim, e podemos ter algumas aspirações”.

Quanto ao facto de ser uma modalidade mista, graceja: “Foi factor de atracção no princípio, até para ver miúdas. Depois tornou-se algo mais profundo, mais simbólico, no âmbito da integração e da diversidade”.

Para terminar, perguntamos ao responsável máximo quais são as expectativas de futuro, depois da presença numa competição internacional importante, a Europa Shield 2018. Vasco Condado aponta para “um crescimento consolidado, mantendo a nossa matriz”, confessa “alguma esperança em disputar o playoff final do campeonato” e não esconde que, num prazo de três anos, gostaria de ter um título nacional. “Acima de tudo, gostava de nunca ter de dizer a um atleta para procurar outro clube”.

Boa sorte, Korf Lx Project!

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