Sociedade

“A Repartição” de Pedro Chagas Freitas no palco de Marvila

Assistimos ao espectáculo “A Repartição”, por um grupo de teatro amador de Guimarães, no âmbito do Festival de Teatro Amador ORIENTE-SE… e gostámos!

Quando nos sentámos na sala, porventura a mais composta de todos os espectáculos de um festival que começou no primeiro sábado de Outubro e termina no próximo sábado, 3 de Novembro, já o palco era dominado por um dos protagonistas da história.

Esmeraldo Banhas Caçador está sentado ao computador, no que supomos ser uma secretária de trabalho da Repartição, e é audível que está a jogar o Pinball do Windows. Recordamos com saudade este jogo que também fez as nossas delícias quando éramos mais novos… Chegando a hora do início da representação, a segunda personagem desta história levanta-se da própria assistência e desloca-se até ao palco, para não mais sair dele até ao cair do pano. É Anacleto Toupeira, que está a tentar resolver uma dívida da qual tem imensa dificuldade de se livrar.

Os dois actores amadores do Grupo de Teatro Coelima, de Guimarães, dão tudo o que têm ao longo da peça, que tem os seus momentos de diversão, com algumas gargalhadas na plateia, de espanto (para quem não leu o livro), com os dois protagonistas a ficarem de cuecas, e finalmente de surpresa, quando a cena final deita por terra algo que dávamos por garantido… mas que não vamos contar para não estragar a leitura!

São vários os momentos em que nos identificamos com Anacleto Toupeira: quando vemos alguém que não consegue resolver um problema numa qualquer repartição de serviços públicos – ou outros -, quando sentimos a privacidade invadida por quem quer saber mais do que queremos contar, ou quando se cria uma estranha intimidade entre completos desconhecidos, só porque já passaram mais tempo juntos do que previam no início do imbróglio.

Uma coisa é certa: dispensamos a sensação de liberdade originada pelo despir da roupa toda (menos as cuecas)… pelo menos numa qualquer Repartição!

Findo o espectáculo, Sandra Mestre, presidente do Teatro Contra-Senso, chamou ao palco Pedro Chagas Freitas, que agradeceu o empenho e elogiou a qualidade das actuações e de toda a produção, e entregou ao Coelima uma lembrança deste festival.

O espectáculo segue dentro de momentos, com “OPUS” no dia 3 de Novembro, às 21h30, no mesmo local.

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