Início » Destaque, Reportagem » Vindima na vinha de Marvila: vem aí o vinho “Corvos de Lisboa”

Depois de a termos visto nascer e crescer, testemunhámos agora a primeira vindima. Na vinha de Marvila, as primeiras uvas já foram apanhadas. Quando podemos provar o vinho?

Foi no dia 24 de Agosto que 24 funcionários da Casa Santos Lima apanharam as primeiras 15 toneladas de uva no parque vitícola de Lisboa. Também o vereador da Estrutura Verde e o vice-presidente da Câmara Municipal de Lisboa, José Sá Fernandes e Duarte Cordeiro, estiveram presentes no momento especial.

A vinha fica na Freguesia de Marvila, na Rua Quinta da Graça, e é bem visível, por exemplo, da Av. Marechal Gomes da Costa, da Av. Gago Coutinho, ou até mesmo da Segunda Circular. As uvas, essas, têm vista sobre a descolagem e aterragem dos aviões do Aeroporto Humberto Delgado, um fenómeno tão curioso como improvável.

Em 2014, a Câmara de Lisboa e a Casa Santos Lima assinavam um protocolo que viria a tornar possível esta vindima, num local onde não é permitida construção devido à proximidade com o aeroporto.

Três anos depois, e num dia com excelentes condições atmosféricas, apanham-se as uvas. São elas arinto para o vinho branco e touriga nacional e tinta roriz para o tinto. Ao EXPRESSO do Oriente, José Luís Oliveira da Silva, que é quem gere a Casa Santos Lima (e é bisneto do fundador), explica que “o controlo de maturação comprovou que a uva é boa” e acrescenta: “ficámos muito contentes com a qualidade”.

Milhões de garrafas transportam o nome de Lisboa

Para este experiente apaixonado por vinhos, trata-se de mais um passo na afirmação da Região Vitivinícola de Lisboa e da Casa Santos Lima em particular: “Temos uma região muito rica, cada vez mais significativa. Estamos a 45 minutos de Alenquer, onde temos o nosso centro de produção. Somos o maior produtor da região e exportamos cerca de 90% da produção para os cinco continentes, da Austrália aos países africanos, ao Extremo Oriente ou às Américas. Crescemos todos os anos e estamos a expandir as nossas instalações”.

Por sua vez, o vereador Sá Fernandes confessa a “sensação extraordinária de apanhar cachos de uva em plena cidade de Lisboa, com esta vista deslumbrante”. Para o vereador, que arregaçou as mangas e deu uso à sua tesoura de poda, a relação entre o Município e a Casa Santos Lima é “perfeita”. Ao nosso Jornal, Sá Fernandes destaca a promoção da Região e da própria cidade: “Lisboa é das poucas capitais da Europa com zona rural a 20 minutos de distância. Neste momento, há milhões de garrafas de vinho no mundo inteiro com o nome de Lisboa no rótulo. Isso beneficia tanto o vinho como a cidade”. E termina afirmando: “Tenho a certeza que vai ser um vinho fantástico!”.

O Parque Vitícola de Lisboa foi criado com a promessa de ter também uma função pedagógica. Os cerca de 2 hectares de vinha já foram visitados por alguns grupos de alunos lisboetas, que ficaram a saber mais sobre o ciclo da vinha, a apanha da uva, as características dos solos ou as várias castas de uva.

Quanto ao Corvos de Lisboa, o vinho que vai resultar das uvas marvilenses, José Luís Oliveira da Silva faz uma garantia prévia: “só engarrafamos aquilo de que gostamos”. E completa: “Acredito que a sua qualidade vá aumentando progressivamente, mas temos já um grau de confiança que nos permite apostar neste vinho, um vinho branco frutado e com frescura e um tinto com fruta, corpo e boa estrutura”.

E assim se foram enchendo as caixas ao ritmo da acção da tesoura. Alheios à vindima, os aviões descolavam e aterravam, os automóveis circulavam e a cidade seguia o seu caminho como se nada fosse. Por esta altura, as uvas recolhidas já estão com toda a certeza esmagadas. Ansiamos pelo momento de provar o tal néctar!

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