Cultura

Sentir e Saber de António Damásio

O LIVRO SENTIR E SABER DE ANTÓNIO DAMÁSIO

António Damásio é professor da cátedra David Dornesife de Neurociências, Psicologia e Filosofia, e Diretor do Brain and Creativity Institute na Universidade da Califórnia do Sul. A investigação que desenvolve vem contribuindo de um modo original e decisivo para a compreensão dos processos cerebrais subjacentes às emoções, aos sentimentos e à consciência.

É um autor mundialmente conhecido e as suas obras estão traduzidas em mais de trintra línguas e são ensinadas em todo o mundo: O Erro de Descartes: Emoção, Razão e Cérebro Humano (1995), O Sentimento de Si: o Corpo, a Emoção e a Neurobiologia da Consciência (2000), Ao Encontro de Espinosa: As Emoções Sociais e a Neurobiologia do Sentir (2003), O Livro da Consciência: A Construção do Cérebro Consciente (2010) e A Estranha Ordem das Coisas: A Vida, Os Sentimentos e as Culturas Humanas (2017).

Sentir e Saber – A Caminho da Consciência é a última obra publicada, em português, em Temas e Debates – Círculo de Leitores, com a Dedicatória Para a Hanna, como sempre.

O livro abre com um “Antes de Começar” apresentando-se como centrado “em perguntas decisivas para a compreensão do ser humano e do seu lugar na história da vida. As respostas a essas perguntas não são fáceis mas a ciência e a reflexão filosófica podem ajudar a sua abordagem”  (p. 19). Realça-se esta dimensão problematológica presente em toda a obra e em toda a vida e orientadora de metodologia seguida e das estratégia da evolução. António Damásio espera que as soluções adiantadas “nos aproximem de uma resposta adequada e que sejam entendidas como um Manifesto sobre o Problema da Consciência” (p. 24). Trata-se efetivamente de um Manifesto pela sua forma lapidar, depurada ou desbastada, sem deixar de ser complexo.

Ao longo desta notável publicação encontramos quatro temas que organizam os diversos textos e que são: ser, representar, sentir e saber. No ramo da história da vida, que é aquele em que nos encontramos, podemos identificar três fases evolutivas distintas e consecutivas acontecendo curiosamente algo de semelhante em todos os seres humanos contemporâneos: as fases do ser, do sentir e do saber que”estão ligadas a sistemas anatómicos e funcionais separáveis coexistindo dentro de cada ser humano e aos quais, na idade adulta, se acede conforme necessário” (pp. 49 – 50 ). É percorrido um tranquilo caminho através de um brilhante trabalho de clarificação de um conjunto de  conceitos (e dos proprietários que com eles operam: bactérias, plantas, animais, humanos): desde logo ser, sentir e saber mas, de igual modo, regulação homeostática, corpo, inteligência, sistema nervoso, cérebro, mente, consciência, fenómenos sociais e cultura.

O livro termina com um “Epílogo” fazendo uma referência à longa saga de uma legião de organismos a quem a vida e a seleção natural facultaram a existência, constatando que os seres humanos são recém-chegados a esta longa saga, com “um rumo errático por vezes, mas, de um modo geral, têm resistido e prevaleceram” (p. 261), sem deixarem de infligir à Terra a à sua vida uma desmedida devastação. “Seria bom se os desastres atuais nos dessem renovadas razões para escutar as vozes daqueles que têm dedicado as suas vidas a pensar nos problemas com que hoje nos deparamos” (pp. 268 – 269). A pandemia e as alterações climáticas são apresentados como os dois exemplos mais óbvios dessa devastação terminando com “devemos ter esperança e temos algumas razões para otimismo.”

António Cruz  

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