Sociedade

Papeleiras com arte na Penha de França lembram que “Beata é Plástico”

Dezenas de voluntários dedicaram uma hora e meia a apanhar beatas do chão das ruas da Penha de França, a mesma freguesia onde 15 papeleiras foram pintadas para sensibilizar os fumadores.

O projecto resultou de uma parceria entre o Zero Waste Lab e o Gabinete de Informação do Parlamento Europeu e a Representação da Comissão Europeia em Portugal, com o apoio da Junta de Freguesia da Penha de França.

15 papeleiras comuns da freguesia foram transformadas em objectos de arte urbana, como que a dizer “estamos aqui, usem-nos!” e a procurar sensibilizar os fumadores para apagarem os seus cigarros no alvo, depositando depois a beata no seu interior. Deveria ser algo normal e usual, mas infelizmente não é: as estimativas apontam para 7000 beatas atiradas para o chão por minuto, 11 milhões por dia, só em Portugal!

A arte foi assinada por quatro colectivos artísticos e deverá expandir-se para mais pontos da cidade, depois desta experiência-piloto.

No dia 8 de Novembro, a partir da Praça António Sardinha, dezenas de voluntários arregaçaram as mangas e dispuseram-se a percorrer as ruas, de olhos postos no chão, recolhendo todas as beatas que encontrassem. Todos os voluntários tinham um copo na mão, para ir juntando beatas, e alguns deles, nomeadamente alunos da Escola Luísa de Gusmão, estavam equipados com recipientes grandes para armazenar a maior quantidade.

Rodrigo Freitas e Mariana Rodrigues eram dois destes jovens voluntários em missão, com 15 e 16 anos. Na sua opinião, as pessoas têm de se mentalizar que o gesto automático de atirar beatas para o chão é indesculpável. Nenhum dos dois é fumador e Mariana confessa que não é fácil convencer os familiares que fumam a colocar sempre a sua beata no lixo. Juntos, apanharam três copos cheios de beatas em cerca de 15 minutos. O resultado da iniciativa, em uma hora e meia, foram 12 litros de beatas recolhidas!

Mudar mentalidades

Ao EXPRESSO do Oriente, Ana Salcedo, uma das fundadores do Zero Waste Lab, explica que esta foi apenas uma pequena acção no âmbito da grande iniciativa “Beata é Plástico”. “A beata de cigarro é o lixo número um em quantidade no planeta. É um exemplo daquela máxima de que muitas pequenas coisas juntas causam grandes problemas. As beatas no chão foram finalmente proibidas e queremos aumentar a visibilidade do problema e o grau de sensibilização. Se as pessoas usam como primeira desculpa o facto de não haver papeleiras à mão, pensámos em torná-las mais visíveis num espaço geográfico pequeno”.

Foi assim que os quatro grupos trabalharam criativamente as papeleiras, incluindo alunos da Luísa de Gusmão e do colectivo Geriartes, com idosos com mais de 90 anos, sempre com uma preocupação: sinalizar um alvo no topo da papeleira, indicando o sítio onde o fumador deve apagar o cigarro antes de o descartar… na papeleira!

“Os números que temos, de 11 milhões de beatas a irem para o chão todos os dias, significam que é como se cada português atirasse uma beata para o chão todos os dias!”, resume Ana Salcedo, acrescentando depois que o cigarro é altamente poluente e tóxico, acabando por contaminar as águas, depois de arrastado pela chuva e pelo vento para as sarjetas e sumidouros.

Por seu turno, Maicon Santos, vogal da Junta de Freguesia da Penha de França, dá conta de várias acções de sensibilização na área ambiental por parte da autarquia, recordando que foi até realizado um debate em sede de Assembleia de Freguesia sobre a questão. Acrescenta ainda que “A Junta de Freguesia tem planeada uma acção de distribuição de beateiros aos comerciantes locais, vai adquirir porta-beatas ecológicos para distribuir pelos fumadores e fazemos uma vez por ano uma acção de limpeza com os cidadãos, como fizemos o ano passado com os Escuteiros e a Juventude Mariana. Estamos sempre disponíveis para apoiar este tipo de actividades e congratulamo-nos pela mobilização da sociedade civil com o apoio das entidades públicas”.

A iniciativa terminou com um debate “#EU Dialogues” na biblioteca da Escola Nuno Gonçalves, em que participaram Sofia Colares Alves, representante da Comissão Europeia em Portugal, Tânia Barbosa, do projecto “NO PLANet B!” da AMI, e o eurodeputado João Ferreira (CDU), moderados pela representante do Zero Waste Lab, Lívia Tirone. Numa sala cheia de alunos e parceiros locais, apresentaram-se projectos de sensibilização ambiental e discutiram-se escolhas que todos nós podemos fazer enquanto consumidores, capazes de produzir impactos globais na preservação do único planeta que temos disponível.

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