Reportagem
Reunião descentralizada com os munícipes do Areeiro, Beato e Penha de França
Carlos Moedas escuta moradores

Carlos Moedas, presidente da Câmara Municipal de Lisboa, acompanhado do seu executivo, reuniu com os munícipes das freguesias de Areeiro, Beato e Penha de França para se inteirar dos problemas que os apoquentam. A reunião descentralizada da Câmara Municipal de Lisboa decorreu no dia 21 de Janeiro, no Pavilhão da Escola Básica Patrício Prazeres, na Penha de França.
Areeiro
No Areeiro as queixas não parecem ser muitas, pelo menos nesta reunião onde apenas se inscreveu um morador, foi breve na sua intervenção para expor a sua preocupação social com o futuro do Bairro Portugal Novo e com a manutenção do espaço público. O vereador Vasco Moreira Rato enalteceu o trabalho associativo deste habitante que já participou em oito projectos BipZip desde 2014 e garantiu que está a ser reunida informação para definir critérios para a determinação do direito de aquisição do edificado daquele bairro.
Beato
Sobre a freguesia do Beato, tudo parece mais complicado. Foi destacado o campo do Vitória Clube de Lisboa que aguarda há oito anos pelo reerguer dos muros e vedações destruídas pela tempestade “Ana”, ocorrida em 2017. Pelo munícipe interveniente foi demonstrada a preocupação pela situação já que o espaço fica exposto a todo o tipo de possíveis actos de vandalismo e contantes roubos, contribuindo para a falta de segurança de atletas, famílias, equipas técnicas e equipamentos, acresce que as instalações acabam por ser invadidas por toxicodependentes que utilizam o local para consumo de substâncias ilícitas e para ali pernoitarem. Foi também apontada a falta de uma rede de esgotos capaz de garantir uma adequada salubridade e higiene e o morador realçou que o campo, propriedade da CML, é utilizado por cerca de 150 atletas e pelas seleções da Associação de Futebol de Lisboa.
A Escola Luís António Verney foi outra das preocupações demonstradas pelos habitantes do Beato que lamentam o estado de degradação a que chegou este estabelecimento de ensino. O encerramento do polidesportivo da mata da Madre de Deus e dos problemas de circulação no bairro, nomeadamente o excesso de velocidade apesar da sinalização foi também um dos temas levados à reunião descentralizada, assim como as alterações no percurso da carreira 34-B que deixou de servir o horário escolar e da iluminação, especialmente junto às paragens de autocarro, o que constitui um grave sentimento de insegurança.
O lixo e a higiene urbana estão em destaque em todas as freguesias e Beato não foi excepção, assim como as acessibilidades, nesta freguesia até a sede da Junta tem dificuldades de acesso para pessoas com mobilidade reduzida.
Penha de França
Quanto à Penha de França, a preocupação com a higiene pública e a falta de iluminação é uma constante nas queixas dos munícipes que querem saber se, afinal, a competência da limpeza das ruas pertence à freguesia ou à autarquia lisboeta. É também apontada a falta de civismo de alguns vizinhos que depositam o lixo fora dos contentores.
Queixam-se ainda do trânsito na freguesia, especialmente nos problemas decorrentes do estacionamento em segunda fila e na confusão gerada pelos semáforos da Rua Morais Soares.
A Associação de moradores Bairro Horizonte, na Freguesia da Penha de França, reclama da limpeza urbana e da iluminação no ringue de skate e parque inter-geracional que é inexistente, o que limita a utilização do espaço por constituir um foco de insegurança.
Pela parte da Câmara Municipal de Lisboa foi dito, através do vereador Moreira Rato, que haverá “uma empreitada para breve”. Já a vereadora Joana Batista lembra que o Bairro do Horizonte constitui um território de autoconstrução e que a intervenção necessária contempla obras de urbanização que vão o saneamento básico à construção de uma rede de distribuição de água, ao enterramento das linhas de telecomunicações ou ao melhoramento da rede elétrica, obras essas que ultrapassam uma verba de dois milhões e meio. No entanto, garante que a Câmara está comprometida com a resolução da situação para breve.
Na Penha de França, há uma dificuldade crescente de estacionamento e nesta reunião um dos moradores relembra o projecto de um silo subterrâneo previsto para a parada do Alto de São João. Gonçalo Reis, vice-presidente da CML, garante que o silo “vai acontecer” até porque a EMEL é “fã” deste projecto e são 178 lugares disponíveis para a população residente. Está já na fase de licenciamento do terreno. Serão cerca de dois anos de obra pelo que se prevê a sua conclusão em 2028.
Em suma, o lixo é um problema transversal a estas três freguesias, assim como a falta de iluminação que provoca o sentimento de insegurança à população. Na freguesia da Penha de França, destaca-se ainda a falta de estacionamento e a confusão gerada pelos semáforos na Rua Morais Soares.
Os presidentes
Os presidentes das Juntas de Freguesia de Areeiro, Beato e Penha de França, presentes na reunião descentralizada, expuseram também o seu ponto de vista e reclamaram igualmente a intervenção que julgam necessária para os seus territórios.
Numa breve intervenção, Pedro Jesus, presidente da Junta de Freguesia do Areeiro, definiu cinco objectivos a reclamar à autarquia Lisboeta: As obras do túnel da Avenida João XXI; a passagem do antigo edifício da Segurança Social para o domínio municipal; a requalificação das avenidas Almirante Reis e Roma; a requalificação urgente do Bairro Portugal Novo e Parque Vale da Montanha, para o qual reivindica uma academia e um festival.
O presidente da Junta de Freguesia do Beato, Silvino Correia, começou por dizer que o território sob a sua alçada quer sentir-se como “parte integrante da cidade de Lisboa”, lamentando que o Beato não tem sentido “a atenção que sua população merece e anseia” e considerando que situação tende a agravar-se.
Aponta problemas crónicos, como a falta de infraestruturas desportivas para jovens e menos jovens, barreiras à mobilidade interna, falta de ligação rodoviária entre a picheleira e a estrada de chelas. Destaca também a falta de investimento na Escola Artística Luís António Verney, as fracas instalações da EB2 3 das Olaias, assim como as da sede da junta e ainda a falta de escoamento de águas pluviais no bairro.
Silvino Correia lamenta a concentração de instituições de apoio a pessoas em situação de sem-abrigo na sua freguesia, cerca de 23% destes equipamentos de toda a cidade estão no Beato o que considera ser também um factor que provoca a sensação de insegurança nos moradores.
Falou ainda do Casal do Pinto, uma situação que considera ser essencial para a sua população, assim como a requalificação da Vila Dias. Recuperar o edificado existente e melhorar os acessos à freguesia são anseios antigos.
Terminou a sua intervenção prometendo, somo sempre, total colaboração com a Câmara Municipal de Lisboa.Elisa Madureira, presidente da Junta de Freguesia da Penha de França destacou como prioritário para a sua freguesia a concretização do Plano de Pormenor da Calçada das Lajes, aprovado já em 2021, e que contempla a articulação entre as diversas malhas urbanas, nomeadamente junto da Avenida Afonso III, Calçada das Lajes e Alto do Varejão criando novas áreas de equipamento e novos espaços que sirvam a população, entre eles um jardim público em frente à Igreja Paroquial São Francisco de Assis, o espaço circundante ao Forte de Santa Apolónia com espaço verde e de utilização colectiva, acriação de uma via entre a Escola Patrício Prazeres, rua matilde rosa araújo e Avenida afonso III, fundamental para a segurança dos alunos.
Pede também que a CML assuma o compromisso da execução do projecto do Vale de Santo Antonio, aprovado em 2025. Assim como o silo de estacionamento na Parada do Alto de São João, um pavilhão gimnodesportivo, um auditório público, um lar de idosos/centro de dia/creche e novas instalações para a Junta de Freguesia.
A questão do Multibanco é também muito importante já que a única máquina onde é possível levantar dinheiro está situada no território da antiga freguesia de São João.
Na intervenção de Elisa Madureira são também contemplados o Forte de Santa Apolónia, o Lavadouro na Rua Luís Monteiro, a Vila Janira ou o problema das pessoas em situação de sem-abrigo que pernoitam pelas ruas da freguesia, em especial na Parada do Alto de São João, na Quinta de Santo António e no terreno da sede da antiga freguesia de São João.
O lixo e a higiene urbana não foram esquecidos, assim como a insegurança, a falta de iluminação pública adequada e o pedido de policiamento de proximidade.
A terminar a reunião descentralizada de 21 de Janeiro, falaram os vereadores que, no geral, dizem não ficar surpreendidos pelas queixas, reconhecem que as queixas são iguais em toda a cidade. Relativamente à segurança há recomendações para que se criem condições para atrair agentes policiais para a profissão, nomeadamente o apoio na habitação acessível e, apesar de um ou outro apontamento à falta de candidaturas às verbas do Plano de Recuperação e Resiliência(PRR) – nomeadamente no que diz respeito às obras da Escola Luís António Verney, dizem estar atentos às situações apontadas e garantem que colaboram activamente no intuito de melhorar o dia a dia da população.
Carlos Moedas garante que sai sempre “de coração cheio” por poder contribuir para a resolução dos problemas das pessoas e deixa uma nota de optimismo: “Contem com a nossa dedicação.”



