Reportagem
Hortas em Lisboa
A Câmara Municipal de Lisboa colocou a concurso, durante o mês de Junho, mais de 130 talhões de cultivo agrícola nos novos Parques Hortícolas do Vale de Chelas e dos Olivais. O objectivo é incentivar a agricultura urbana, reconhecendo as vantagens e benefícios que lhe são inerentes, a nível do equilíbrio ecológico da cidade, mas sobretudo da estabilidade sócio-económica de quem a pratica.
Para António Teixeira, morador em Marvila e dono de um pequeno terreno agrícola onde cultiva cebolas e feijões para consumo próprio, esta é uma boa medida da autarquia. “Acho bem que permitam e que dêem a oportunidade de as pessoas terem o seu próprio terreno de cultivo aqui na cidade. Para mim, é importante ter este pequeno terreno, onde posso plantar alguns alimentos, que acabam por me ficar mais baratos”, conta ao EXPRESSO do Oriente.
Com este concurso, poderão ser atribuídos entre 80 e 100 talhões de cultivo, com 150 metros quadrados, no Parque Hortícola do Vale de Chelas, aos quais se juntam os cerca de 100 antigos hortelãos que já ocupavam o Vale antes da intervenção camarária. Nos Olivais, o parque hortícola dispõe de 31 talhões de cultivo, entre 80 e 140 m2.
Aqueles que passem a ser os utilizadores destas hortas terão direito a aceder a uma tomada de água colectiva; a utilizar o abrigo de uso colectivo para aprovisionamento de alfaias e materiais de apoio ao cultivo; e ter acesso a informação e acompanhamento técnico disponibilizado pela CML, no sentido da promoção da agricultura biológica e das boas práticas de cultivo. Em contrapartida, terá que cultivar a horta que lhe foi atribuída com plantas hortícolas, aromáticas, medicinais e ornamentais; manter o cultivo da horta de forma ininterrupta e garantir a limpeza, segurança, salubridade e bom uso do espaço, bem como dos acessos das áreas e equipamentos comuns do Parque Hortícola e encaminhamento dos resíduos vegetais produzidos.
Por sua vez, para Maria Aldina, que em outros tempos também se dedicou à prática agrícola, é importante poder manter viva esta actividade, mesmo que seja apenas para usufruto pessoal. “É muito importante ter estas hortas. É bom que consigamos semear e cultivar, porque assim as pessoas mantém a tradição. Além disso, enquanto comem aquilo que elas próprias fabricam, não têm necessidade de comprar”, diz.
Desta forma, a Câmara Municipal de Lisboa volta a estimular a agricultura urbana e a manter vivas tradições antigas, permitindo às pessoas poderem, mesmo na cidade, terem os seus próprios terrenos e investir em actividades agrícolas saudáveis, que acabam por ser benéficas não só para as próprias pessoas como para a cidade.



