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No âmbito do festival de teatro “Felizmente há Lumiar 2018”, o nosso Jornal assistiu à apresentação de uma peça que trouxe o quotidiano da Síria até Telheiras.

A peça chama-se “Cartas de Damasco” e trata-se de um projecto artístico criado a partir da correspondência real trocada entre a directora artística, autora do texto e encenadora Ana Lázaro e a sua amiga Leen Rihawi, a partir da Síria.

Ana Lázaro e Leen Rihawi conheceram-se em Barcelona, em 2013, no contexto de um concurso para jovens escritores que abrangia vários países europeus e em torno do Mediterrâneo.

“Comecei a ouvir as notícias de que estava a aumentar o nível do conflito na Síria e estavam a acontecer ataques químicos”, conta Ana Lázaro ao nosso microfone ainda antes de o espectáculo começar. “Quando a Leen voltou para a Síria, para a cidade onde mora, em Damasco, começámos a trocar correspondência. Alguns trechos desta peça foram retirados das cartas dela”, completa.

Num registo intimista, os traços ondulados da escrita de Leen, bem como as respostas de Ana, são-nos trazidos pela interpretação de Ana Sofia Paiva e complementados pela música de Vasco Ribeiro Casais. Ficamos absorvidos por esta amizade e pelos sonhos das duas, que num cenário de dezenas de aviões de papel espalhados pelo palco sonham com uma viagem à Antártida, onde tudo é branco, onde a esperança nunca morre e não há cabos de internet.

Esta foi apenas uma das várias representações no âmbito do “Felizmente há Lumiar”, um festival anual que oferece ao público teatro gratuito mediante reserva de bilhete.

A ‘Dobrar, núcleo artístico responsável pelo espectáculo “Cartas de Damasco”, foi premiada com o Apoio à Criação, pela Fundação Calouste Gulbenkian.

(as fotografias que acompanham este artigo são da autoria de Ana Martins)

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