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Os Fidalgos da Penha levaram ao palco do Auditório Fernando Pessa, na Casa dos Direitos Sociais, a peça de teatro “Equívoco Divino”.

O Jornal EXPRESSO do Oriente esteve presente e riu a bom rir com este espectáculo que contou com quatro representações entre 5 e 13 de Maio.

Somos os primeiros a entrar na sala e observamos como os espectadores vão entrando em silêncio, pensando que a peça já começou. Na verdade, é um “truque” para imergir desde logo o público no espectáculo: o Sr. António (personagem) já ocupa o centro do palco e vai ressonando, no seu pijama vermelho, refastelado numa poltrona amarela, enquanto ouvimos música de um qualquer coro gregoriano.

Quando o fumo já criou uma atmosfera quase irreal, entram quatro anjos brancos (com asinhas e tudo): a Divina Graça, a Divina Esperança, a Divina Paz e a Divina Misericórdia. Enquanto o Sr. António ressona, os anjos debatem as falhas processuais que resultaram num terrível equívoco: morreu a pessoa errada! O praguejar constante é motivo de riso para a plateia, que não resiste ao ritmo vivo e à asneira alheia, nem ao talento destes actores do Grupo de Teatro dos Fidalgos da Penha.

Já com o pobre António acordado, e sabendo nós que o falecido só poderá regressar à Terra se for “devolvido” no corpo de uma mulher, voltamos a divertir-nos com uma cena curiosa, em que o António masculino e o feminino se interpelam frente a frente, num suposto espelho. O novo António feminino não resiste a apalpar de mão cheia as suas novas curvas e o velho António masculino pergunta-se como serão a partir de agora as velhas rotinas: a sueca, a vida conjugal ou as aventuras amorosas extra-conjugais…

Para terminar, Amália e Almerinda fazem-nos perder a compostura que ainda mantínhamos: as duas velhotas, uma coxa e a outra surda, carregam um diálogo praticamente impossível, sobretudo tendo em conta os gases que não páram de empestar a sala…

À saída, falamos com Ariana Garcia, a responsável pela direcção de actores. A jovem explica que o grupo queria muito fazer uma comédia, depois de ter experimentado dramas e teatro de revista.

Baseado no texto “Os céus o mandaram de volta”, de Ivan Ferretti, o grupo adaptou o texto em conjunto e alterou alguns pormenores ao seu jeito. Por exemplo, António transforma-se em mulher, e não em galinha, como no texto original. “Quisemos apostar nestes três espectáculos seguidos, em vez de fazer representações mais espaçadas, e estamos muito satisfeitos com a recepção. Tem sido espectacular!”, congratula-se Ariana Garcia.

Resta dizer que os fatos foram inteiramente elaborados pelos Fidalgos para esta peça que contou com o apoio da ACCL – Associação das Colectividades do Concelho de Lisboa e da Casa dos Direitos Sociais.

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