Início » Cultura, Reportagem » Projecto Música Crescente faz a festa no Bairro das Salgadas

No último dia de Setembro, o Bairro das Salgadas, na freguesia de Marvila, acolheu a festa final do Projecto Música Crescente.

A tarde estava muito agradável e o palco montado junto à sede da Associação de Moradores do Bairro das Salgadas prometia animação.

Perante largas dezenas de moradores, amigos e familiares, vários conjuntos fizeram-se ao palco e revelaram o seu talento: desde o hip hop do bairro ao rancho folclórico, passando pela música da Banda da ACULMA e dos alunos da Escola de Música do Projecto Música Crescente.

Ana Sofia Marques, técnica do projecto, explica ao Jornal EXPRESSO do Oriente que a actividade iniciou em Outubro de 2016, após a candidatura ao programa BIP/ZIP da Câmara Municipal de Lisboa.

Aproveitando a experiência e a união dos parceiros de outro projecto BIP/ZIP, o 4 Crescente, que trabalha em quatro bairros vizinhos (Salgadas, Alfinetes, Quinta do Chalé e Marquês de Abrantes), o Projecto Música Crescente focou-se no ensino da música e no desenvolvimento de competências como a disciplina, a responsabilidade, fomentando a coesão social.

“Temos a Escola de Música e promovemos várias actividades dirigidas aos moradores dos bairros. Formámos facilitadores comunitários para ter a certeza que o projecto atingia a comunidade e fomos envolvendo a população, estando presentes nas ruas, com vários eventos”, enumera a jovem de 21 anos, licenciada em Ciências da Educação.

Quando lhe pedimos um balanço, a responsável destaca: “Temos alunos que se inscreveram no projecto e que querem prosseguir a sua experiência musical, portanto, inscrevendo-se na ACULMA, o que é muito positivo”. Ao todo, o projecto motivou cerca de 15 alunos, dos 8 aos 30 anos de idade.

“Temos o próximo BIP/ZIP a aproximar-se e estamos a organizar uma nova candidatura, um pouco diferente, investindo noutras áreas que vão ao encontro dos desejos da população. Um exemplo são as hortas comunitárias. Este espectáculo final é a melhor forma de concluir o ano e o nosso trabalho, foi mesmo uma experiência incrível e estamos todos contentes. A equipa está de parabéns!””, remata Ana Sofia Marques.

Também falámos com Fátima Duarte, presidente da direcção da ACULMA, a entidade promotora da iniciativa. “Faço um balanço positivo, talvez não tanto quanto queríamos, devido às desistências de alguns alunos de entre o grupo que começou. Seja como for, foi muito positivo porque também temos vários alunos que estão com ideias de frequentar as aulas com a ACULMA e até há um que está a ponderar avançar para o Conservatório. Conseguimos um ambiente e uma envolvência muito positivos, juntando várias culturas. Hoje não conseguimos ter aqui o grupo de cultura cigana, era uma das participações do espectáculo, mas ainda assim conseguimos uma grande diversidade cultural”.

Fátima Duarte realça ainda o facto de muitos alunos da Escola de Música do Projecto Música Crescente nunca terem tocado nenhum instrumento até então: “Foi muito giro ter gente com diferentes percursos a experimentar a novidade da música e do instrumento musical!”.

Falámos com três destas principiantes, para saber como correu…

Beatriz Caeiro, 16 anos, toca saxofone e até já tinha tocado guitarra. Decidiu embarcar nesta aventura porque gosta muito de música. “Tenho a música sempre presente na minha vida, até no banho, com as colunas ligadas! Deixei-me ir, participar neste projecto, e fui gostando cada vez mais”.

Carolina, a irmã, dois anos mais nova, escolheu a flauta transversal. “Também já tocava guitarra, mas ao ver os concertos da banda da ACULMA sempre reparei muito nas flautas. Gostei muito e tenciono continuar”. E como é lá em casa, com duas praticantes a ensaiar? – perguntamos nós. “Ao início estranharam um pouco, sobretudo o saxofone da minha irmã. Mas habituaram-se e claro que gostam muito de nos ouvir tocar”.

Nadmira Pinto, 31 anos, toca clarinete e esta foi a sua primeira experiência com um instrumento musical. “A minha primeira opção era o violino, acabei por ficar com o clarinete e gostei bastante!”. A nossa amiga afirma que vai continuar a aprender porque um ano não chega…

Boa sorte… Viva a música!

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