O histórico rosto da democracia portuguesa, Mário Alberto Nobre Lopes Soares, faleceu este sábado, dia 7 de Janeiro, no Hospital da Cruz Vermelha.
Mário Soares estava internado neste hospital desde o dia 13 de Dezembro, após ter sentido uma indisposição. Depois de ter passado vários dias nos cuidados intensivos, onde o seu estado de saúde se agravou e onde recebeu várias visitas de familiares, amigos e diversas figuras do panorama político nacional, faleceu aos 92 anos.
A última vez que Mário Soares apareceu em público foi no dia 28 de Setembro de 2016, numa homenagem do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, à sua mulher, Maria Barroso, que faleceu em Julho de 2015.
As exéquias fúnebres decorrem segunda e terça-feira, dias 9 e 10 de Janeiro. Na segunda-feira, o corpo estará em câmara-ardente na Sala dos Azulejos do Mosteiro dos Jerónimos, para onde será levado de sua casa, no Campo Grande, com passagem e paragem na Câmara Municipal de Lisboa. Mário Soares era agnóstico e por isso não será velado em nenhuma capela nem haverá missa de corpo presente. Já na terça-feira, está prevista uma cerimónia nos claustros do Mosteiro dos Jerónimos (13 horas) com intervenções dos filhos, do Presidente da República e do presidente da Assembleia da República, e com a actuação do coro e orquestra do Teatro Nacional de São Carlos. Segue-se um cortejo fúnebre com destino ao Cemitério dos Prazeres, passando pelo Palácio de Belém, Fundação Mário Soares, Assembleia da República e Largo do Rato. As cerimónias fúnebres com honras militares decorrem a partir das 17 horas.
Mário Soares, unanimemente considerado um dos maiores rostos da democracia portuguesa, assumiu um papel importante na luta contra a ditadura do Estado Novo (esteve preso por 12 vezes), na defesa da democracia, na resistência ao comunismo e na opção pela integração europeia, tendo liderado o processo de adesão à CEE em 1986. Foi deputado à Assembleia da República, eurodeputado, ministro dos Negócios Estrangeiros, primeiro-ministro por três vezes e Presidente da República, sucedendo a Ramalho Eanes.
O Governo decretou três dias de luto nacional.



