Cultura
Começar o ano no Museu de Lisboa
Janeiro abre-se como um mapa por desdobrar, com cinco propostas que convidam a entrar na cidade por portas diferentes: a da casa quinhentista virada ao Tejo, a da devoção cantada em fado, a da cozinha da Roma Antiga, a dos bastidores invisíveis das colecções e a da palavra escrita que dá corpo aos bairros. Cinco espaços, cinco experiências, cinco formas de começar o ano a viver Lisboa.

A primeira paragem é na Casa dos Bicos, uma casa com 500 anos onde as paredes contam mais de dois mil anos de história. Mandado construir por Brás de Albuquerque em 1522, este notável edifício de arquitetura civil do século XVI guarda, no seu núcleo arqueológico, vestígios que atravessam milénios. Nesta visita orientada, os participantes são convidados a percorrer a história da casa e da cidade, lendo nas pedras em forma de diamante, ou “bicos”, os sinais de uma Lisboa que se transforma, mas nunca apaga o passado.
A meio do mês, o fado entra no Museu de Lisboa – Santo António, num encontro entre música, devoção e memória. Em ambiente intimista, de verdadeira casa de fado, Yola Dinis dá voz à relação profunda entre o fado lisboeta e Santo António, tão presente na tradição fadista da cidade. Esta sessão de Fados para Santo António começa com uma visita à exposição permanente e prolonga-se num concerto que cruza percurso artístico, emoção e identidade lisboeta, numa parceria com o Grupo Desportivo da Mouraria.
No Museu de Lisboa – Teatro Romano, a história troca os livros pela prática e entra na cozinha. Inspirada no universo dos programas televisivos, a oficina Masterchef romano desafia os participantes a descobrir o que comiam os romanos, como cozinhavam e que sabores marcavam o quotidiano de há dois mil anos. Entre ingredientes inesperados, sabores de outros tempos e trabalho de equipa, esta experiência termina com um “livro de receitas à romana” para levar para casa, depois de vestir a toga e provar o passado.
Para assinalar o Dia Internacional do Conservador-Restaurador, o Museu de Lisboa abre excecionalmente a sua Reserva Visitável, revelando um lado menos visível e essencial do trabalho museológico: a gestão das coleções. Guiada por Aida Nunes, coordenadora dos serviços de conservação e restauro, esta visita conduz o público aos bastidores onde se preserva, estuda e cuida do património.
O mês termina no Palácio Pimenta, à volta da palavra e da memória dos lugares. Em Crónicas à conversa, os autores das crónicas inéditas da exposição Crónicas de uma Lisboa desconhecida sentam-se com o jornalista Miguel Andrade para falar de vivências, bairros e imaginários. Terreiro do Paço, Belém e Campo das Cebolas são alguns dos territórios em foco nesta conversa com Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada, José Manuel dos Santos, Jaime Ruiz, Nuno Nabais e Sérgio Letria, num diálogo que prolonga a exposição e dá nova vida aos textos e às histórias da cidade.
Cinco propostas, cinco olhares, uma cidade em constante mudança. Em janeiro, o Museu de Lisboa convida a começar o ano a ouvir, provar, conversar, descobrir e revisitar Lisboa.



