Cultura
AZULTEJO de Miguel Barros na galeria de arte MAC
O MAC – Movimento Arte Contemporânea inaugurou a exposição “AZULTEJO”, de Miguel Barros, no dia 15 de Setembro. A mostra estará patente até dia 29 de Setembro na galeria de arte MAC, sita na Avenida Pedro Álvares Cabral 58-60, de Segunda a Sábado das 15h00 às 19h00.

Miguel Barros — 40 anos de uma vida dedicada à Arte
“Há artistas que pintam o que veem. Outros, porém, pintam aquilo que sentem, aquilo que recordam e, sobretudo, aquilo que permanece dentro de si quando a distância transforma os lugares em memória.
Miguel Barros pertence a esta segunda estirpe.
A sua pintura não é apenas uma representação do mundo: é uma forma de o reinventar. Em cada tela existe uma relação íntima entre a luz e a matéria, entre a memória e o presente, entre aquilo que os olhos reconhecem e aquilo que a alma guarda.
É neste território de emoções, memórias, experiências e afectos que surge “AzulTejo”, a grande exposição que Miguel Barros apresenta no MAC – Movimento Arte Contemporânea, em Lisboa, no próximo mês de Setembro, com inauguração no dia 15 de Setembro, pelas 18 horas.
Mas esta exposição possui um significado ainda maior.
“AzulTejo” é a exposição comemorativa dos 40 anos de carreira de Miguel Barros.
Quarenta anos de pintura.
Quarenta anos de procura.
Quarenta anos de trabalho, de inquietação, de aprendizagem e de afirmação de uma linguagem própria.
Quarenta anos em que Miguel Barros foi construindo, obra após obra, um percurso que hoje merece ser celebrado com a dignidade e o reconhecimento que uma carreira desta dimensão justamente exige.
E não poderia haver lugar mais simbólico para essa celebração do que o MAC – Movimento Arte Contemporânea.
Porque a história de Miguel Barros e a história do MAC cruzam-se há muitos anos.
Miguel não é apenas um artista que expõe no MAC.
É um dos artistas que fazem parte da própria história do MAC.
Foi aqui que encontrou um espaço de reconhecimento, de liberdade e de afirmação. Foi aqui que a sua obra foi lançada, divulgada e distinguida, encontrando desde cedo uma extraordinária cumplicidade com a crítica e, sobretudo, com o público.
Ao longo destes 40 anos, Miguel percorreu caminhos diversos, conheceu geografias diferentes e viveu experiências que inevitavelmente marcaram a sua sensibilidade artística.
Viveu em Angola.
Há mais de uma década escolheu o Canadá para viver.
Mas nunca deixou verdadeiramente Portugal.
E, sobretudo, nunca deixou o seu MAC.
O Atlântico pode separar geografias, mas não separa afectos.
Todos os anos, quando regressa a Portugal para apresentar a sua pintura no MAC, acontece algo que já se tornou uma espécie de tradição: os seus admiradores reencontram-no, a galeria enche-se, os amigos aparecem, o público aproxima-se das obras e a pintura de Miguel volta a estabelecer esse diálogo raro e imediato com quem a contempla.
São exposições vividas.
São exposições sentidas.
São exposições que ultrapassam a simples apresentação de obras para se transformarem em verdadeiros encontros.
E talvez seja essa uma das maiores virtudes da pintura de Miguel Barros: ela convida-nos a entrar.
Não exige do espectador uma chave secreta para ser compreendida. A sua pintura oferece-se primeiro ao olhar e, depois, lentamente, à emoção. Há nela uma força cromática que prende, uma construção plástica que surpreende e uma atmosfera que permanece para além do primeiro contacto.
AZULTEJO — uma viagem pela memória
O título desta exposição é, desde logo, uma declaração de amor.
Azul. Tejo.
Duas palavras que, juntas, parecem conter uma geografia inteira.
O azul do céu e da água, o azul da distância, o azul das manhãs luminosas e dos fins de tarde que lentamente se despedem sobre Lisboa.
E o Tejo, esse rio que não é apenas rio, mas memória, passagem, horizonte e identidade.
Miguel Barros conhece bem o significado da distância.
A sua vida levou-o por diferentes países e diferentes realidades. Mas há uma geografia que nunca abandonou: aquela que construiu em Portugal e, de modo muito particular, aquela que construiu no MAC.
“AzulTejo” pode ser entendido como uma espécie de regresso.
Não apenas o regresso físico de um artista que vive longe.
Mas o regresso às suas memórias, às suas raízes, aos seus afectos e a um público que nunca deixou de o acompanhar.
O Tejo surge como metáfora de uma vida feita de partidas e regressos. Como todos os grandes rios, também ele conhece o movimento permanente: nasce, percorre, atravessa paisagens, recebe outras águas e segue inexoravelmente em direcção ao mar.
Talvez a pintura de Miguel seja também assim.
Uma pintura em viagem.
Uma pintura que nasceu em Portugal, conheceu Angola, atravessou o Atlântico e encontrou no Canadá uma nova dimensão de espaço e de distância, mas que continua a trazer consigo uma memória portuguesa profundamente enraizada.
Por isso, o Azul de Miguel não é apenas uma cor.
É uma condição interior.
É o azul da saudade sem tristeza, da distância sem abandono, da memória sem nostalgia excessiva. É um azul que contém outros azuis: o azul do céu, o azul do rio, o azul do mar, o azul da imaginação e até aquele azul indefinível que existe entre aquilo que fomos e aquilo que ainda desejamos ser.
Quando a pintura saiu do MAC e encontrou Aljustrel
No ano passado, durante a exposição de Miguel Barros no MAC, senti que aquelas obras possuíam uma força que merecia ultrapassar as paredes da galeria e chegar a outros públicos.
Foi então que tomei a iniciativa de levar a exposição até Aljustrel, às excelentes Oficinas de Formação e Animação Cultural de Aljustrel, espaço com o qual o MAC mantém há muitos anos uma relação de grande proximidade e cumplicidade cultural.
A decisão revelou-se particularmente feliz.
A exposição foi recebida em Aljustrel com um entusiasmo extraordinário e alcançou um sucesso enorme, confirmando, uma vez mais, a capacidade da pintura de Miguel Barros para estabelecer uma ligação imediata com o público.
E aconteceu então algo que merece ser destacado.
Miguel Barros, profundamente sensibilizado pela forma como Aljustrel acolheu a sua obra, decidiu doar a maior parte das pinturas apresentadas na exposição, permitindo que permanecessem naquele território e passassem a fazer parte do seu património artístico.
Hoje, essas obras encontram-se definitivamente instaladas no edifício do Centro de Negócios de Aljustrel, onde continuam a viver, a ser vistas e a dialogar diariamente com todos aqueles que por ali passam.
É um gesto de enorme generosidade.
Mas é também muito mais do que isso.
É a demonstração de que Miguel Barros entende a Arte como partilha, como aproximação, como memória e como legado.
Uma obra de arte começa verdadeiramente a cumprir a sua missão quando deixa de pertencer apenas ao artista e passa a fazer parte da vida das pessoas.
Em Aljustrel, Miguel deixou uma parte importante da sua obra.
Mas deixou também uma parte de si.
Quarenta anos depois
Quarenta anos de carreira não se resumem a uma sucessão de exposições.
São quarenta anos de vida.
De escolhas.
De renúncias.
De conquistas.
De momentos de dúvida e de momentos de afirmação.
De horas intermináveis diante da tela.
De procurar uma cor, uma forma, uma luz ou uma emoção que muitas vezes o próprio artista sabe existir, mas ainda não sabe como alcançar.
É por isso que celebrar 40 anos de carreira é celebrar muito mais do que uma data.
É celebrar uma vida entregue à Arte.
E é precisamente isso que o MAC pretende fazer com esta exposição.
Celebrar Miguel Barros.
Celebrar o pintor.
Celebrar o homem.
Celebrar o amigo.
Celebrar os 40 anos de um percurso artístico que atravessou continentes, conheceu diferentes culturas e que, apesar da distância, nunca perdeu a ligação a Portugal.
Para mim, enquanto Director-Coordenador do MAC, é uma enorme satisfação poder acolher esta exposição comemorativa.
Há artistas que passam pelas instituições.
E há artistas que deixam nelas uma marca.
Miguel é, sem dúvida, um desses artistas.
A sua presença no MAC representa mais do que uma exposição. Representa a continuidade de uma amizade artística, de uma cumplicidade construída ao longo de muitos anos e de uma história comum feita de trabalho, confiança, reconhecimento e afecto.
É também uma demonstração de que a Arte possui uma extraordinária capacidade para vencer as fronteiras geográficas.
Miguel vive no Canadá, mas a sua pintura continua a dialogar com Portugal.
E Portugal continua a reconhecê-lo.
As enchentes que, ano após ano, acompanham as suas exposições no MAC são a prova mais eloquente de que existe entre o artista e o público uma relação que não se fabrica, não se impõe e não se explica apenas através da crítica.
Constrói-se obra após obra.
Constrói-se com verdade.
Constrói-se com persistência.
Constrói-se com emoção.
“AzulTejo” é, assim, mais do que o título de uma exposição.
É uma viagem através da cor, da memória, da distância e do reencontro.
É a celebração de 40 anos de uma vida dedicada à pintura.
É a viagem de um artista que saiu de Portugal, viveu outros mundos, conheceu outras paisagens e outras culturas, mas que continua a trazer consigo uma luz que nunca se apagou.
A luz do Tejo.
A luz de Lisboa.
A luz das suas memórias.
A luz do MAC.
E agora também a luz de Aljustrel, onde uma parte significativa da sua obra encontrou permanência e passou a integrar um espaço de vivência colectiva.
Talvez seja precisamente isso que a pintura de Miguel Barros nos oferece: a possibilidade de compreender que podemos partir sem deixar de pertencer, podemos viver longe sem perder as nossas raízes e podemos transformar a distância numa nova forma de olhar.
“AzulTejo” é o regresso de Miguel Barros ao lugar onde a sua pintura encontrou uma das suas grandes casas.
É o reencontro com um público que nunca deixou de esperar por ele.
E é, acima de tudo, a celebração de quatro décadas de um artista que soube fazer da sua pintura uma forma de vida.
Em setembro, o MAC abre novamente as suas portas a Miguel Barros.
Desta vez, porém, abre-as de uma maneira particularmente especial:
para celebrar 40 anos de carreira de um pintor que o MAC viu crescer, acompanhou, promoveu, reconheceu e que continua, tantos anos depois, a considerar um dos seus.
E quando as primeiras obras de “AzulTejo” forem reveladas, talvez o Tejo esteja ali.
Não apenas nas telas.
Mas na memória de todos nós.
Porque há rios que atravessamos.
E há rios que nos atravessam para sempre.
Parabéns, Miguel, pelos teus 40 anos de Arte.
E obrigado por continuares a
fazer do MAC, mesmo vivendo tão longe, uma parte da tua história.”
Director-Coordenador
MAC – Movimento Arte Contemporânea
Académico pela Academia Nacional de Belas-Artes




