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O santo casamenteiro volta a fazer das suas e abençoa 16 novos casais este ano. Que sejam muito felizes, são os nossos votos sinceros!

A edição de 2017 dos Casamentos de Santo António tem a particularidade de ser uma “data redonda”: faz este ano 20 anos que a iniciativa foi retomada pela Câmara Municipal de Lisboa, depois de um interregno que durava desde 1974.

História aparte, o certame continua bem vivo no dinamismo que gera, no apoio dos parceiros e no entusiasmo dos noivos, cujas peripécias quisemos conhecer e partilhar com os nossos leitores.

E entre a escolha do vestido, os ensaios, as solicitações dos media, dos familiares e dos amigos, lá arranjaram tempo para nos atender, sempre com simpatia e um sorriso…

São estes os 16 casais que abrilhantam este ano as Festas de Lisboa e dão o nó sob os auspícios do santo mais querido pelos lisboetas:

Rita Madaleno e Rúben Pires

Com 27 e 25 anos, Rita e Rúben vivem em Marvila e conheceram-se através de uma amiga em comum. O namoro já ia para 6 anos quando surgiu o pedido de casamento. E quer saber como foi? O pedido surgiu no dia de anos da Rita, com a caixinha do anel dentro do bolo de aniversário!

“Já tínhamos pensado em candidatar-nos aos Casamentos, quando abriram as inscrições arriscámos e conseguimos!”, contam-nos. Nesta altura, confessam estar um pouco nervosos e adiantam que “se calhar quando o chegar o dia ainda vamos estar mais!”.

A experiência está a ser “maravilhosa” e a maior surpresa foi “conhecer pessoas que gostámos logo à primeira”: “criámos um bom grupo e tudo está a correr bem!”.

Rita Costa e Tiago Costa

Apresentamos a noiva mais nova desta edição: Rita tem 22 aninhos, feitos em Novembro, e vai casar com o Tiago, que conta 26. Conheceram-se ainda adolescentes, há sete anos e meio, e começaram a namorar pouco tempo depois.

Tiago conhecia o irmão da Rita desde pequenino e foi esse o elo de ligação entre estes vizinhos de Santa Engrácia e do Alto de São João.

O pedido de casamento foi feito em plena Noite de Consoada, à frente da família. Já os Casamentos de Santo António surgiram como uma escolha natural para este casal que sempre gostou de espreitar as cerimónias pela televisão.

“É um sonho! É uma experiência única, muito intensa”, resumem, felizes.

Sofia Oliveira e André Santos

Este casalinho de Campolide viu-se pela primeira vez aos 18 anos: ele estava a passear uma cadela “giríssima” e a conversa ficou facilitada porque ambos gostam muito de animais… Começaram a namorar passado um mês e a relação tinha de acabar em casamento!

Em virtude das dificuldades, adiaram o projecto até terem assistido às Marchas Populares em 2015. Foi aí que ficaram entusiasmados ao ver o desfile das noivas, todas muito bonitas… E André não esperou mais: o pedido de casamento surgiu ali mesmo, em plena noite de Santo António, diante do desfile na Avenida da Liberdade!

“Estamos a adorar, está a superar todas as expectativas! Todos são muito carinhosos e atenciosos, apesar de andarmos muito atarefados. Todos dão o máximo para garantir que somos muito felizes!”.

Cláudia Silva e David Cunha

Apesar de morarem a uma curta distância um do outro, na freguesia de Marvila, Cláudia e David só se conheceram pessoalmente há cerca de 7 anos, no Verão. Ele já andava de olho nela, como o próprio admite, porque “um homem repara sempre mais na mulher do que o contrário”.

O papel de casamenteira valeu o estatuto de madrinha de casamento à amiga que os apresentou.

O entusiasmo dos pais é partilhado pela pequena Maria Gabriela, que com 4 anos de idade já contou a toda a gente que os papás vão casar na televisão.

A candidatura aos Casamentos de Santo António justificava-se plenamente, ou não fosse Cláudia marchante pelo Beato há muitos anos. Mas não é tudo: faz anos precisamente no dia 12 de Junho!

Telma Esteves e Ricardo Pereira

A primeira vez que Telma e Ricardo se viram foi na praia em São João da Caparica, para depois descobrirem que frequentavam o mesmo parque de campismo, num fim-de-semana de férias.

Como este mundo é mesmo pequenino, chegaram à conclusão que Ricardo era o melhor amigo de um primo de Telma, mas também já não precisavam de desculpas! A química foi imediata…

Dois anos depois do início do namoro, o seu amor deu frutos e nasceu o pequeno Salvador, que hoje tem um aninho. “Tínhamos o objectivo de casar e concorremos porque somos marchantes e gostamos muito deste mês dos Santos Populares em que tudo acontece”.

Telma, que vivia no Areeiro, chegou a marchar pelo Alto do Pina, enquanto Ricardo era marchante pelos Olivais. Agora marcham os dois pelos Olivais, para ninguém se chatear. Muito bem!

Daniela Mota e Jaime Silva

Foi em contexto de trabalho que se conheceram, e não faz muito tempo. Estes marvilenses estão juntos há dois anos. Ainda viveram em Almada, de onde vem o Jaime, mas acabaram por aterrar em Marvila para estar mais perto da família de Daniela e do trabalho.

Os Casamentos de Santo António foram a oportunidade que este casal precisava para se casar, um passo para o qual a carteira não chegava, conforme nos confidenciam. O pedido, esse, foi feito no mesmo sítio onde tinham começado a namorar, em plena praia, na Costa de Caparica. Um momento romântico ao pôr-do-sol!

A família da noiva tem tradição marchante, representando as cores de Alfama. Mas nem isso afasta a ansiedade: “Estamos muito ansiosos, mas a gostar muito da experiência. Temos a noção que isto é algo que vai ficar na nossa memória para sempre! Um casamento de sonho!”.

Sónia Nunes e Pedro Frazão

Este é outro casal que se conhece há relativamente pouco tempo, mas para quem o amor não deixa dúvidas! Juntos há cerca de dois anos, escolheram Belém para viver, por considerarem que era uma zona muito bonita.

Sónia e Pedro explicam com entusiasmo a escolha dos Casamentos de Santo António: “Quando começámos a conversar sobre o casamento, dissemos logo que seria muito engraçado tentar a inscrição, por nos termos conhecido em Lisboa e por ser uma ocasião única, poder fazer este compromisso num evento tão bonito que já estávamos habituados a acompanhar na televisão. Achamos que é um momento muito especial!”.

Quando surgiu a confirmação final, Sónia estava tão ansiosa que nem perguntou se tinham sido seleccionados pelo civil ou pelo religioso, que era a opção preferencial!

Carla Batista e Sandro Quaresma

Unidos desde 2004, altura em que estavam ambos a tirar a carta na escola de condução, Carla e Sandro escolheram Marvila para iniciar uma vida a dois. Sandro já vivia nesta freguesia lisboeta, Carla vinha de Camarate. Têm dois filhotes, uma menina com 6 e um menino com 1 ano.

Tudo começou como uma brincadeira mais ou menos inocente, mas tanto brincaram que acabou por acontecer: foi a irmã de Sandro que os inscreveu nos Casamentos de Santo António… até foi ela que entregou os documentos!

“É uma boa iniciativa que permite às pessoas com poucas possibilidades poderem casar-se”, resumem os noivos, que admitem estar bastante ansiosos. Até agora, o mais marcante foi a escolha e prova do vestido. “O meu vestido é mesmo aquilo que eu idealizava, lindo, de princesa!”, exclama Carla, orgulhosa.

Fernanda Ferreira e Fábio Galveias

De Olivais a Marvila são dois passinhos. Que o digam Fernanda e Fábio, que já se conhecem desde crianças. Com 11 anos de namoro comemorados em Dezembro último, o casal já tem dois filhos, um menino e uma menina.

Quanto à experiência que se aproxima a passos largos, resumem numa palavra a sensação: “maravilhoso”!

“Estamos ansiosos e muito nervosos, cada dia que se aproxima ficamos um pouco mais nervosos…”, acabam por confessar. No entanto, nada disto é radicalmente novo: Fábio já foi marchante por Marvila há cinco anos. Desta vez vai repetir a experiência de desfilar na Avenida, mas com uma fatiota ligeiramente diferente… Coragem!

Augusta Cangingi e Arlindo Andrade

A prova de que Lisboa atrai pessoas de todas as proveniências é-nos dada por Augusta e Arlindo. Augusta nasceu em Angola e o Arlindo é cabo-verdiano, mas conheceram-se em Lisboa por meio de uma amiga que também mora na capital.

Estes moradores da freguesia de Arroios partilham uma história que já leva 15 anos.

“Gostamos da tradição e somos muito devotos de Santo António. Veio mesmo a calhar… Estamos muito agradecidos! A Deus, à Câmara de Lisboa, a tantas pessoas tão simpáticas!”, agradecem com um sorriso. “Quando me ligaram nem estava a acreditar, parecia que nem era eu. Sinto-me muito muito feliz!”, acrescenta Augusta.

Andreia Magalhães e Rúben Nunes

Natural de Ourém, Andreia conheceu Rúben há quatro anos e meio, mas a verdade é que já se tinham cruzado no local onde trabalham hoje, em estágio… só que não guardam memória desse cruzamento!

Seja como for, o destino encarregou-se de unir os seus trajectos, e ainda bem! Agora são de Benfica, com muito orgulho.

“Nós já estávamos noivos e já perto do final do prazo vimos um cartaz dos Casamentos de Santo António num café. Nunca imaginámos! Foi engraçado porque não sabíamos bem ao que íamos. Fomos muito descontraídos, nada nervosos”, contam divertidos.

E assim, de repente, alguém que nunca tinha visto as Marchas até assistir pela primeira vez ao vivo a um desfile da Marcha da Boavista, o ano passado, vai poder viver bem de dentro esta experiência única, agora como noiva. Que sorte!

Vera Henriques e Pedro Vizela

Esta é uma história para todos os que não acreditam em amor à primeira vista. Vera estava à janela de casa da irmã, Pedro apareceu de mota para ver um amigo, olhou para cima e… apaixonou-se.

Nesse dia nem falaram, mas no dia seguinte já foi diferente: Vera desceu, foram formalmente apresentados, Pedro deu-lhe boleia até casa e já não deu para evitar o romance…

Estes dois moradores da Penha de França, que já têm duas filhas em comum, dizem que se sentem “como um príncipe e uma princesa, nunca fomos tão bem tratados!”.

Para Vera, é duplamente especial: “Sempre vi os Casamentos de Santo António, sempre foi o meu sonho e é muito especial porque não tínhamos possibilidade de casar de outra maneira”.

Raquel Silva e Vítor Jesus

Sinal dos tempos e da modernidade, a relação de Raquel e Vítor resulta do admirável mundo novo da internet e das redes sociais. Ela de Marvila, ele de Arroios, começaram a namorar há quase 10 anos e são pais de um filhote de seis anos, o Santiago.

Segundo nos relata Raquel, “esta coisa de ser uma noiva de Santo António vem de um sonho meu de há muitos anos. Fui marchante em Marvila, quando era mais pequenina também pelo Beato e sempre convivi com os bailaricos dos Santos Populares. Fiz uma proposta ao meu noivo, ele disse que sim e aqui estamos!”.

Quando perguntamos quem está mais nervoso, as atenções viram-se para Vítor. Já não falta muito tempo! Está quase!

Tânia Lopes e Joaquim Morais

No caso deste casal, pode dizer-se que a tradição já começa a ser uma questão de família: o irmão de Joaquim casou-se pelos Casamentos de Santo António o ano passado, Tânia e Joaquim participaram na festa como convidados e gostaram muito. Tanto que este ano decidiram concorrer e… acabaram seleccionados!

Não têm dúvidas em eleger a fase de selecção como a mais difícil de suportar: “foi muita ansiedade! Na noite anterior à confirmação oficial, nem consegui dormir”, conta-nos Tânia.

Para este casal de Marvila, trata-se de “uma oportunidade única, principalmente para os casais com menos posses”. No seu caso, “casar era um sonho praticamente impossível”.

E a tradição sai reforçada: Joaquim é há 20 anos marchante em Marvila, está mais que habituado às Festas de Lisboa, com a mãe, o pai e a irmã também marchantes. Mas desta vez, a experiência vai ser a de um principiante…

Ana Carlos e Miguel Almeida

E por falar em tradição popular, Ana e Miguel conheceram-se num baile dos Santos Populares, em Marvila, há já 13 anos. Ela marvilense, ele dos Olivais, vivem juntos há 4 anos e são pais de um menino de 2 anos.

Veja só a história do pedido de casamento: “O Miguel sabia que era um sonho meu casar. Na noite de Consoada, fez-me uma surpresa muito especial, com familiares e amigos mais chegados, com todos os motivos que me deviam levar a aceitar o pedido de casamento gravados em vídeo!”, relata Ana.

Adeptos fiéis da noite das Marchas na Avenida, confessam estar ansiosos e apontam o telefonema da confirmação da selecção como o momento mais marcante. Para a noiva, também o foi a escolha do vestido. Pudera!

Rita Martins e Tiago Fino

São de Alvalade e conhecem-se há nada menos que 22 anos. De resto, as mães de ambos já se conheciam…

Para Rita e Tiago, o casamento surgiu sem um pedido formal, antes como uma conversa e um acordo mútuo, por ser um passo lógico na sua caminhada juntos.

“Como estamos ligados à cidade de Lisboa achámos que fazia sentido, que encaixava perfeitamente na nossa história. Nascemos ambos em Lisboa, embora tivéssemos vivido fora. Começámos a namorar em Lisboa e vivemos aqui juntos. Costumamos viver os santos populares e esta festa de Santo António. Não podia fazer mais sentido!”, resumem.

Antes de terminar, confirmam o que sentimos com todos os 16 casais: “sentimo-nos bastante felizes, tudo esta a ser gerido de forma serena e calma mas está a ser uma experiência fantástica, com pessoas muito atenciosas”.

 

São 16 casais que vão viver um dia fantástico. 11 vão contrair o matrimónio religioso, 5 vão assumir-se companheiros para uma vida inteira casando pelo civil. A todos eles desejamos que se inspirem nos Casais de Ouro, que há 50 anos fizeram o mesmo na cerimónia de 1967, e que ainda cá estão para contar como foi.

Muitas felicidades!

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